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Antes de Mark of the Ninja, eu só havia jogado um jogo da Klei Entertainment, Shank. Shank é um beat'em up muito similar aos dos anos 80 e 90, se esquecendo, porém, de corrigir algumas falhas muito comuns ao gênero, como a repetição e o chamado "button mashing". Mesmo assim, o jogo tinha três grandes qualidades: a sua fabulosa direção de arte, a animação dos personagens e o feedback das armas, isto é, quando você fatiava um inimgo, os efeitos sonoros e animação refletiam isso perfeitamente.

Então, Mark of the Ninja foi lançado (no ano passado, para ser exato) e foi surpreendentemente bem recebido pela crítica. Fiquei curioso, mas a mediocridade de Shank me fez não tocar no jogo até semana passada, quando houve uma promoção no Steam. E me deparei com um jogo brilhante e que, mesmo não sendo revolucionário, faz muitas coisas que todo desenvolvedor que queira criar um jogo do gênero deveria tomar nota.


Mark of the Ninja é, mecanicamente falando, extremamente diferente de Shank. Mark of the Ninja é um jogo de ação furtiva, que lembra bastante os trechos de furtividade de Batman: Arkham Asylum, porém em 2D com progressão lateral. Todas as maiores qualidades de Shank permanecem e se mostram cruciais. Coisas como a animação fluida do protagonista, os som dos passos dele no telhado e  funcionam como microrecompensas que tornam todo momento do jogo interessante e te fazem sentir realmente como um ninja letal. E, como um ninja, você obviamente tem acesso a uma série de apetrechos e armas secundárias, como kunais, bombas de fumaça e dardos com substâncias alucinógenas (esses últimos são especialmente divertidos e podem levar guardas a matarem seus aliados). No nível macro, a Klei também fez um ótimo trabalho no desenho de níveis, incluindo múltiplas rotas e permitindo que o jogador interaja com praticamente qualquer porção do cenário. O mais importante, porém, é que tudo isso, em conjunto, faz com que o número de estratégias possíveis seja enorme, você tem muitas formas de resolver um mesmo problema e se sente sempre no controle da situação, que é justamente o que torna esse gênero tão atrativo. Claro, inúmeros jogos já fizeram isso anteriormente (por isso temos um gênero), mas eu nunca havia visto um em 2D com progressão lateral fazer e fazer tão bem, a ponto de rivalizar com gigantes, como Splinter Cell, o que por si só já faz valer o tempo gasto para jogar Mark of the Ninja.


Há uma história também. Ela envolve tatuagens que dão habilidades especiais, porém podem deixar o ninja louco, e uma conspiração envolvendo uma corporação que vende armas e o clã dos ninjas. Falando assim, parece algo complexo, mas é realmente só uma desculpa para a ação. O final, no entanto, é muito ambicioso e fiquei surpreendido pela forma como foi realizado.

Quero uma sequência.

[Mark of the Ninja está disponível para PC e Xbox 360. Para PC, é possível adquirir via Steam, e, para Xbox 360, pela loja online do console. O ideal é jogá-lo com um controle de Xbox 360, que é suportado pela versão de PC.]

Mark of the Ninja | Crítica Mark of the Ninja | Crítica Reviewed by Thales Nunes Moreira on 05:07:00 Rating: 5