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Scream - 1ª Temporada | Crítica



Série renova a franquia de suspense com mais acertos do que erros.

Não é uma tarefa fácil estrear uma nova série, mas em alguns casos, quando o produto é derivado de uma franquia que já possuí vários fãs, essa tarefa se mostra ainda mais árdua. Scream, série baseada na franquia de filmes Pânico, já estreou com uma certa desconfiança por parte dos fãs do material original, ainda mais por não ter Kevin Williamson (Criador dos Personagens e roteirista de três dos quatro filmes) no comando do projeto. E para completar, não ter ligação nenhuma com o universo dos filmes e ainda trocar a icônica máscara do vilão Ghostface foi o suficiente para muitos abandonarem a série, antes mesmo de conferir o primeiro episódio.

Felizmente, os roteiristas Jay Beattie e Dan Dworkin (Ambos de Revenge e Criminal Minds) e Jill E. Blotevogel (Ravenswood) conseguiram captar o espirito dos filmes, com novos personagens, apresentar a trama para uma nova geração, e ainda representar os adolescentes de uma maneira muito fiel.

Assim como nos filmes, referências sobre outros produtos da cultura POP são constantemente mencionados pelos personagens. 50 Tons de Cinza, A Culpa é das Estrelas, Pretty Little Liars, The Walkind Dead, Scandal, How To Get Away With Murder e até mesmo Taylor Swift são apenas alguns exemplos, o que é bom para aproximar o telespectador que também consome esses filmes e séries.

Infelizmente, o elenco não é dos melhores. Emma (Willa Fitzgerald) não consegue ter a mesma empatia que Sidney (Neve Campbell) possuí nos filmes, um sério problema, afinal Emma é o centro de tudo e principal alvo do serial killer. O xerife Clark Hudson (Jason Wiles), e os jovens Kieran (Amadeus Serafini) e Will (Connor Weil) sofrem do mesmo mal, todos parecem não conhecer seus respectivos personagens. No entanto, Broke (Carlson Young), Audrey (Bex Taylor-Klaus), Piper (Amelia Rose Blaire), Jake (Tom Maden) e principalmente Noah (John Karna) apresentam interpretações convincentes, e conseguem balancear o medo e o humor, conquistando muitos telespectadores, não só participando do mistério, mas com suas próprias histórias, envolvendo namoros e família.

O arco principal foi muito bem planejado pelos roteiristas, dando pistas certas a cada episódio, sem entregar muita coisa. Os efeitos especiais foram bons, tanto as facadas ou outros golpes, como o sangue falso utilizado. Algumas mortes conseguiram ser ainda mais fortes e tensas que muitas cenas dos filmes, ao mesmo tempo, as perseguições ou o suspense poderiam ter sido melhor coreografados, mas esses aspectos só evoluíram durante a temporada. O mesmo pode ser dito sobre a fotografia, a série começa focando em cenários escuros, tanto em lugares internos quanto externos, mas um pouco mais de cor surge ao logo dos episódios, atingindo seu ápice durante o Season Finale.

A resolução do mistério de "Quem é o Assassino?" foi incrivelmente bem escrita, mesclando ideias de Pânico 3 e Pânico 4 que não foram utilizadas nos filmes. E isso era uma das maiores dúvidas sobre a proposta da série. Como o público reagiria a um mistério que antes era solucionado em poucas horas no cinema, e agora deveria ser estendido por dez episódios na televisão? Felizmente, os roteiristas cumpriram essa difícil tarefa, mas já que a série já foi renovada para uma 2ª Temporada, é claro que algumas perguntas permaneceram no ar para manter o telespectador interessado e curioso sobre o futuro da série. E posso dizer que conseguiram, pois com isso nos foi apresentado um surpreendente plot twist.

Talvez, também devido à renovação da série, muitos personagens sobrevivem durante o "não tão sangrento massacre" do Season Finale. Afinal, ainda há muita história para contar, mas um pouco mais de derramamento de sangue na série não faria mal, assim como mais ligações ameaçadoras do assassino. Esses dois aspectos (extremamente importantes nos filmes) são menos frequentes a cada novo episódio. Um ponto para ser revisto na próxima temporada.

Se tínhamos algum receio sobre a série no início (E até mesmo antes disso!), Scream conseguiu nos provar que esse formato, esse universo e essa proposta podem funcionar também na TV quando se mantém fiel ao material original, inova nos pontos certo e acima de tudo, respeita o produto no qual se baseia.

Agora nos resta esperar a 2ª Temporada, prevista para 2016, para continuar esse mistério.

Não veja o vídeo abaixo, caso você ainda não tenha visto a temporada toda.



Vale lembrar que a 1ª Temporada da série será disponibilizada no catálogo brasileiro do Netflix a partir de 1º de Outubro.

Scream - 1ª Temporada | Crítica Scream - 1ª Temporada | Crítica Reviewed by Roberto de Carvalho Neto on 21:18:00 Rating: 5