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O Lar das Crianças Peculiares | Crítica


'O Lar das Crianças Peculiares' é mais uma obra literária que encontra as telas dos cinemas. Não que isso seja ruim, temos aí várias franquias que moldaram uma geração e expandiram sua base de fãs graças a adaptação de um livro para filme. Entretanto, as ressalvas quanto a um livro adaptado é sempre grande. E nesta obra, temos mais um caso onde resultado final não condiz nem um pouco com a obra original, mas isso não faz com que o filme seja ruim.

Dirigido por Tim Burton, em 'O Lar das Crianças Peculiares', começa quando Jake (Asa Butterfield) visita o antigo orfanato onde seu avô dizia morar crianças com poderes extraordinários. Durante anos seu avô vinha contando histórias desse lugar único em que ele teria passado parte de sua infância e adolescência. Em circunstâncias misteriosas, o avô de Jake morre e aí iniciamos a jornada do herói. Ele vai em busca desse lugar fantástico para descobrir se as histórias eram verdade ou imaginação de um senhor de idade atormentado pelos anos vividos durante a Segunda Guerra Mundial.

Ao chegar na ilha de Cairnholm, o orfanato está destruído, mas ele logo descobre que seus habitantes estão vivos, vivendo num único dia ensolarado em 1943 que se repete infinitamente graças ao poder da Senhorita Peregrine (Eva Green).



Antes de continuar devemos considerar que, para aqueles que não leram o livro, o filme funciona bem, tem seus momentos de tensão, algumas intrigas, cenas de CGI que fazem o olho brilhar. E só. Mas isso não torna o filme ruim. Já para aqueles que esperam uma adaptação do livro, já levem seus ansiolíticos pois as mudanças são tantas que vão deixá-los se questionando a todo momento: “MAS PORQUE FIZERAM ISSO?”

Quando falamos em atuação a coisa complica, Asa Butterfield como Jake investe na cara de angustiado mas não sai disso e simplesmente parece não ter outra expressão (ele já foi melhor em outros filmes). A atriz Ella Purnell, que faz Emma Bloom, uma jovem mais leve que o ar, se esforça, mas também não convence. É triste que nem ela nem Asa acreditem nos sentimentos e drama que seus personagens sentem um pelo outro.

Samuel L. Jackson aparece pitoresco como o vilão Barron, e a maravilhosa Eva Green é extremamente mal aproveitada durante a obra. Quem viu 'Penny Dreadful' sabe do que essa mulher é capaz.



Falando de Tim Burton, a ressalva em efeitos visuais mirabolantes (as cores de 'Alice Através do Espelho' ainda não saíram da minha cabeça, e sim, isso é ruim); e a ausência de Johnny Depp resulta em qualidade. Os cenários bem pensados e as sequências de fantasia garantem o visual do filme, que mesmo longe de toda a extravagância “Burtonesca” que conhecemos, resulta em um filme muito bonito, mas sem exageros.

Durante o terceiro ato, já notamos o gostinho de franquia (também não é pra menos, visto que a obra em que é baseada é uma trilogia) e é nesse ponto que reside esperança para os que não vão querer aceitar todas as mudanças que o filme adotou. Talvez, nas sequências, possam explorar mais de cada criança peculiar, bem como da Srta. Peregrine e da mitologia criada por Ransom Riggs.

Em resumo 'O Lar das Crianças Peculiares' promete agradar aqueles que gostam de fantasia e aos fãs de Tim Burton, que estavam insatisfeitos com seus últimos filmes. Para os que leram o livro, podem se decepcionar com algumas mudanças (lembrando que é uma adaptação e a obra precisa se adaptar à mídia), mas ainda assim podem aproveitar de um bom filme que tem cheiro de Sessão da Tarde.


O Lar das Crianças Peculiares | Crítica O Lar das Crianças Peculiares | Crítica Reviewed by Marko Miller on sexta-feira, setembro 30, 2016 Rating: 5

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