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Um papo com David Lloyd sobre a criação de 'V de Vingança' na ComicCon RS

Nos dias 20 e 21 de agosto, David Lloyd, ilustrador do famoso quadrinho 'V de Vingança', lançado pela Vertigo, estava na ComicCon RS. No sábado ele participou do painel 'V de Vingança: uma conversa com o autor' e falou muito sobre sobre todo o processo que levou o quadrinho a ser uma grande referência.

Alan Moore e David Lloyd se conhecem há muito tempo e assim que começaram a conversar sobre suas histórias que não deram seguimento, perceberam que eles tinham algumas ideias muito parecidas, sem contar algumas referências, como 'The Prisoner' (série da BBC), George Orwell e Fahrenheit 451. Lloyd ainda explicou que mesmo com referências muito parecidas, suas visões criativas são muito diferentes. Enquanto ele ainda cria focando em uma "narrativa cinematográfica", Moore traz uma "narrativa literária" muito forte.

Quando decidiram o rumo inicial dos personagens e história, no início dos anos 80, 'V de Vingança' começou a a ser lançado no Reino Unido em capítulos na revista Warrior, da editora Quality Comics. Na época Alan escrevia como seria cada capítulo da série em um resumo para David poder criar. Porém, o final não estava planejado desde o início. Tudo foi sendo decidido conforme a sequência da história. Assim o trabalho era mais orgânico, produzido com mais calma e tempo, um capítulo por vez.

Porém, o editor da revista ficou sem dinheiro para dar continuidade a ela e assim eles foram em busca de novos parceiros até chegar a DC/Vertigo, nos Estados Unidos. A partir disso, as edições começaram a ter algumas diferenças: de capítulos mensais, 'V de Vingança' passou a ser uma revista mensal o que aumentou muito o trabalho dos dois, além de ser publicada colorida, já que na versão original era em preto e branco.

A mudança de estilo foi basicamente monetária, até porque a Vertigo buscava um diferencial já que na época existiam muitos quadrinhos em preto e branco no mercado. Isso gerou muita polêmica entre os fãs que já acompanhavam a versão britânica, até porque nas primeiras versões americanas elas tinham vários problemas de coloração e impressão. Hoje em dia, David considera a impressão da revista ótima, já que a tecnologia ajudou a melhorar a qualidade do material, incluindo a coloração e impressão digital.

Como foi criar a máscara de V?

A ideia inicial era que o personagem de V ficasse parecido com Guy Fawkes, um soldado inglês que envolvido na "Conspiração da Pólvora", em 1605. David contou que ele e a "Conspiração" foram uma grande referência para a criação da história e personagens.


Lloyd comenta que fica feliz ao perceber que as pessoas usam a máscara de seu personagem como um símbolo de revolução e busca de seus direitos. Ainda explicou, que muitos quadrinhos dos anos 80 faziam referências políticas, porém como a maior parte deles eram americanos e seus editores republicanos, eram contra essa visão "anarquista" nas histórias.

Sobre a situação política atual, David não sabia muito sobre o que estava acontecendo no Brasil, mas não deixou de citar as eleições americanas. Ele chamou Donald Trump de “rebel razzle” (algo como "rebelde sem causa") e afirma que isso é só uma forma de chamar a atenção para posições e causas políticas erradas.

 O que acha do filme de 2005?

David comentou que sua única preocupação é que a Warner fizesse um bom filme, afinal é difícil colocar toda a história dos quadrinhos em uma narrativa cinematográfica, mas comenta que gosta do resultado final. E ainda afirmou que o filme fez com que os quadrinhos chegassem em mais países e consequentemente em mais pessoas. Assim, todos poderiam conferir as duas versões da história.

Sobre a opinião de Allan Moore, ele disse que é muito difícil de saber, até porque Moore nunca foi muito fã de adaptações. Ele sabe que ele nunca ficou animado com a adaptação de seu quadrinho, porém David diz ter escutado algo que Allan comentou que de todas as adaptações de seus trabalhos. a de 'V de Vingança' foi a que mais gostou.

Após isso, David agradeceu a todos e retornou a uma imensa fila de autógrafos e também de desenhos originais, que fazia conforme a solicitação e pagamento de R$ 30,00, que além de ser muito baratao, valeram a pena para muitos fãs.

Foto de @jaimachado

*Foto do topo: Maurício Mussi

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