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O rei está de volta, e seu grito continua alto! Tantos anos após Peter Jackson ter feito sua tão aguardada versão de 'King Kong', temos aqui um filme que se propõe a contar a história deste que é um dos maiores monstros de todos os tempos, de um jeito diferente.

A história de 'Kong: A Ilha da Caveira' acontece logo após o fim da Guerra do Vietnã e temos aqui uma representação estilizada dos anos 70: uma época em que satélites já rodeavam o planeta, mas nem tudo havia sido descoberto e propriamente documentado. Abre-se aqui o espaço para acreditar que uma pequena ilha do pacífico poderia conter segredos inimagináveis, esperando para serem explorados.

O diretor Jordan Vogt-Roberts já havia sinalizado em entrevistas que o filme teria diversas referências de games e seria construído em torno dessa linha de pensamento. A proposta se mostra clara em todas as cenas de ação do filme, com direito a vários momentos em câmera lenta e até mesmo alguns tiros em visão de primeira pessoa.

O mérito do diretor está em sua disposição de criar verdadeiros pôsters durante todo o filme. Filmando quadros incríveis (que saltam aos olhos nas exibições em IMAX), Jordan teve a intenção de nos maravilhar com tudo que a Ilha da Caveira tem para oferecer em imagens bem centralizadas e cores vibrantes!


No entanto, as coisas começam a desandar quando percebe-se que o empenho mostrado na parte visual do filme não está presente com a mesma força na hora de desenvolver a história. Mesmo contando com dois atores de alto escalão atualmente, Tom Hiddleston e Brie Larson, o filme funcionaria da mesma forma sem qualquer um de seus respectivos personagens.

Não há um "arco" para o casal principal. Suas motivações são vagas e seus objetivos, muito artificiais. A falha narrativa fica ainda mais clara quando exibida ao lado dos personagens de Samuel L Jackson e John C Reilly, ambos interessantes e engajantes.

Toby Kebell complementa este elenco de estrelas com um personagem que (diferente de seus trabalhos anteriores) não é um babaca. Fãs da nova série "24: Legacy" e do filme "Straight Outta Compton" também ficarão felizes ao ver Corey Hawkins dando as caras por aqui.


Fãs de filmes de monstro irão se deliciar com os gloriosos embates de Kong, comprovando que a escolha de deixar a história acontecer apenas no cenário da Ilha da Caveira foi bem oportuna. Onde o filme peca com personagens mais fracos do que o esperado, ele compensa com cenas de ação impactantes.

E como já era previsto, temos algumas conexões com o filme do 'Godzilla', de Gareth Edwards, e já podemos ir nos preparando para vermos os dois monstros saírem na porrada. Em comparação, 'Kong: A Ilha da Caveira' faz um trabalho muito melhor de construção de universo do que Godzilla, e com certeza irá agradar muito mais os espectadores que não foram fãs do último filme do lagartão.

Superficial pode ser uma boa palavra para descrever esse filme, porém, como fica claro durante a cena em câmera lenta de Tom Hiddleston dilacerando pássaros pré-históricos com uma katana, em meio à uma nuvem de gás tóxico: Quem se importa?

Kong: A Ilha da Caveira | Crítica Kong: A Ilha da Caveira | Crítica Reviewed by João Felipe Marques on 15:11:00 Rating: 5