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Power Rangers | Crítica


A ideia de fazer um "reboot" cinematográfico de 'Power Rangers' fez muitos fãs torcerem o nariz. Como trazer toda a atmosfera das roupas coloridas e monstros de argila para a tela do cinema, sem perder a sensação de diversão descompromissada que, muitas vezes, só a TV pode proporcionar?

Pois bem, o filme está aí, e embora não seja nenhuma reinvenção genial do tema, 'Power Rangers' irá agradar gregos e troianos que entrem na sala do cinema sem muita expectativa.

Fãs da série original estarão muito bem servidos, com diversas referências espalhadas pelos cenários, elementos que remetem a mitologia de "Mighty Morphin" e até algumas participações especiais bem pontuadas. O famoso fan service vem na medida certa por aqui.

Já quem não é familiarizado com a franquia, irá encontrar um filme divertido e (ao contrario do que alguns trailers vinham mostrando) equilibradamente descompromissado. Em uma mistura genérica de 'Stranger Things' e 'Vingadores', os novos Rangers estão cientes da cultura pop repleta de super-heróis em que se encaixam.


Eis o grande mérito do filme: QUÍMICA. Os cinco atores escolhidos para integrar a nova equipe claramente se dão muito bem (como pude atestar, ao vivo, durante a coletiva na CCXP 2016) e essa química transparece na tela. A amizade e as interações entre os personagens se mostram bem naturais e ajudam a cativar o espectador no melhor estilo de 'O Clube dos Cinco'.

O mesmo não pode ser dito de algumas passagens do roteiro, onde nem mesmo a naturalidade dos atores pode compensar falas repetidas como as do Ranger Preto dizendo o quanto ele é o louco o tempo todo.


Outro ponto alto do filme que merece destaque: Elizabeth Banks entrega uma ótima vilã em Rita Repulsa, que está perfeitamente transportada para esta era moderna dos filmes de super-herói. Em diversos momentos, a vilã é assustadora e mantém presente o sentimento de "perigo", vital para que o filme funcione. Elementos de terror são inesperadamente muito bem incorporados neste filme que tanto se apoia na comédia adolescente.

Por outro lado, existe um sério problema de ritmo por aqui. Quem curtiu os trailers e espera ver um filme repleto de ação, pode ficar decepcionado. O primeiro ato cumpre seu papel, nos introduzindo os personagens e a mitologia. Já o segundo ato acaba se estendendo além do que deveria e pode cansar o espectador que só está ali para ver os zords quebrarem tudo.

Eis que entra o terceiro ato, e a nostalgia está completa! Tudo que você quer ver estará ali, mesmo que seja por menos tempo do que se esperava de um filme sobre os 'Power Rangers'. Até a mesmo a clássica música da série original está de volta, mesmo que brevemente.


Infelizmente, falta dinheiro em 'Power Rangers'. A pós-produção do filme acaba ficando por baixo quando se presta atenção nos efeitos especiais e principalmente no trabalho musical, que poderia ter sido tão épico e marcante quanto nas diversas encarnações da saga na TV.

O real problema, que leva o filme para o lado negro da crítica, é que nada do que vemos por aqui é realmente original. 'Power Rangers' é entretenimento escapista em boa forma e estabelece um bom começo para uma futura franquia (principalmente por causa do elenco), mas tudo que vemos já foi feito em outros filmes e, na maioria das vezes, foi feito melhor.

Power Rangers | Crítica Power Rangers | Crítica Reviewed by João Felipe Marques on terça-feira, março 21, 2017 Rating: 5

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