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Mr. Mercedes - 1ª Temporada | Crítica


'Mr. Mercedes' é a nova série de suspense do canal, Audience baseado na trilogia Bill Hodges do autor Stephen King. Jack Bender (Lost) assume a direção e a produção é de David E. Kelley (Big Litlle Lies), Tony Mark III (The Last Ship) e o próprio King, que também ficou responsável pelo roteiro.

A série, com 10 episódios, conta a história de um psicopata usando uma máscara de palhaço enquanto dirige sua Mercedes na direção de uma multidão de pessoas em uma feira de empregos. Com o acidente, várias pessoas foram mortas e outras ficaram feridas. Bill Hodges (Brendan Gleeson) é o detetive encarregado e jura, em rede nacional, que encontraria o culpado. Esse seria seu último caso antes da aposentadoria, sendo assim, seu grande erro. 

Brady Hartsfield (Harry Treadway, Penny Dreadful) é um jovem nerd que trabalha numa loja de eletrônicos. Ele é "o cara do TI", manja de tudo um pouco, sustenta a mãe alcoólatra Deborah (Kelly Lynch, 90210) e convivem em um relacionamento abusivo que vai muito além do que uma relação normal entre mãe e filho.

Brady nunca teve um pai presente, a mãe trazia vários namorados para casa quando ele ainda era uma criança e seu irmão mais novo morreu em um acidente doméstico. Foram vários traumas e abusos no porão de casa. Assim, ele montou um equipamento especial no qual ele consegue monitorar tudo ao seu redor, assim ele mantem a mãe longe de seus planos.  


Brady é o assassino do Mercedes, isso não é uma surpresa ou spoiler. É apresentado nos primeiros minutos do piloto, a trama é inovadora nesse ponto pois não temos uma série onde vamos desvendar o caso junto com o detetive. Nós já sabemos quem ele é o assassino e a partir disso vamos acompanhar um jogo de "gato e rato". Após o acidente na feia de empregos, Brady enviou um vídeo do acidente para polícia e mesmo assim ninguém conseguiu nenhuma pista sobre o assassino.

Dois anos depois, Bill Hodges é um aposentado depressivo, ranzinza e cheio de culpa. Tendo uma vida medíocre e sem grandes objetivos. Problemas de saúde e com álcool,  não soube lidar bem com a saída da policia, principalmente por não conseguir encontrar o assassino do Mercedes. Até que Brady invade seu computador próximo do "aniversário" daquela noite e deixa uma mensagem provocando Bill. Brady estava gabando-se por ainda estar solto. Ele mesmo estava entediado e estava preparando-se para mais um evento de horror. 

É a partir desse momento que começa uma relação doentia entre os dois, que de certa forma motiva ambos os lados. Bill volta a sair de casa e investigar o caso, enquanto isso Brady monitora os passos dele, trocando ofensas e instigando o perigo. Brady está cada vez mais perdendo o seu lado humano e tornando-se um sádico. Provando ainda mais o talento do ator que desde sua participação em 'Penny Dreadful' chama atenção pelas suas expressões faciais e extrema magreza, tornando o personagem ainda mais bizarro.


Mesmo com uma trama envolvente e personagens fortes, a série não consegue acertar o ritmo e a partir do terceiro episódio entrega várias cenas clichês que não tem tanto impacto se você já é familiarizado com séries do gênero. Não é uma série rápida. É densa e algumas cenas demoram para ser digeridas, mas ao mesmo tempo alguns diálogos são monótonos e desnecessários, sendo fácil prever o que vai acontecer na cena seguinte. De longe o ponto alto são os personagens, a sintonia dos atores, o quanto eles tem química em cena.

A trilha sonora da série é maravilhosa, tendo 'Pet Sematary', dos Ramones e 'Fool For You', do The Impressions. Como já é algo característico para os fãs de King, a série é um prato cheio de referências a outras obras como 'IT: A Coisa', 'À Espera de um Milagre', 'Carrie: A Estranha' e 'Christine'. Sem esquecer que tem até uma participação do autor em um dos episódios. 


É bem provável que a avalanche de adaptações desse ano sobre as obras de King influenciou na renovação da série. Não é uma série que vai agradar a todos, mas vale a pena ser conferida pela riqueza de personagens e a relação entre o herói e vilão. O final da temporada foi previsível e não deixou perguntas em aberto. A segunda temporada estreia em 2018.

Mr. Mercedes - 1ª Temporada | Crítica Mr. Mercedes - 1ª Temporada | Crítica Reviewed by Cintia Milanez on 10:56:00 Rating: 5