Reprodução/Divulgação

Me Chame Pelo Seu Nome | Crítica


Quando você vai ao cinema assistir um filme que tem como gênero a palavra "romance", se espera na tela os clichês já conhecidos dos filmes de mesmo gênero, algum drama familiar, sempre um empecilho, algumas (muitas) mortes, vilões e mocinhos e um desfecho que por vezes é favorável e outras não.

Quando ouvi falar a primeira vez de 'Me Chame Pelo Seu Nome', que felizmente teve a tradução do titulo bem fiel para o português, me falaram se tratar de um filme com temática LGBT, já fui logo preparado para um drama onde alguém morre no final. Não entendo o motivo dos estúdios insistirem em dramas pesados para esses tipos de filme, parece que é preciso ser dramático para ganhar o público "fora do meio".

Porém, ao ver o trailer pela primeira vez, já fiquei apaixonado. Que visual, que cenários! O filme tem enquadramento perfeito de cenas externas, parecem imagens para wallpapers, havendo sempre uma troca de primeiro e segundo plano entre personagens e paisagens.

Eu, que já tive a oportunidade de passar uma temporada na Itália, conseguia me transportar para cada cena do filme numa facilidade, que me fazia relembrar das histórias que vivi, incluindo alguns romances com Napoles ou La Spezia como pano de fundo.


Depois de ler o livro de André Aciman, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca, pude ver como o roteiro foi maravilhosamente adaptado por James Ivory. Todos os elementos da descoberta desse novo amor são muito bem abordados na tela, os olhares de Elio para Oliver, os diálogos sempre muito bem elaborados com referências renascentistas, as sutilezas de cada personagem em tentar demonstrar seus sentimentos sem serem descobertos, afinal estamos falando de uma história ambientada nos anos 80.

Trazendo, resumidamente, para quem não teve a oportunidade de ler ou ver o filme, 'Me Chame Pelo Seu Nome' se passa no norte da Itália em 1983, e narra a historia do adolescente Elio Perlman iniciando uma relação amorosa com o visitante Oliver (Armie Hammer), assistente acadêmico de pesquisa de seu pai, com quem se liga através de sua sexualidade emergente, tendo a sedutora paisagem italiana como pano de fundo.


Os pontos que merecem mais atenção nesse filme, em minha humilde opinião, são a atuação de Timothée Chalamet, que interpreta Elio Perlman, e a trilha sonora. Inclusive, ambos os citados estão concorrendo ao Oscar nas categorias de 'Melhor ator' e 'Trilha sonora original'. Falando nela, não deixem de ouvir 'Mistery of Love' e 'Visions of Gideon'.



E fiquem bastante atentos a conversa de Elio com seu pai, é uma aula sobre vida e amor em minutos de cena. Não esperem um final feliz, mas tenham certeza de um filme lindo sobre a mais pura forma de amar.

O filme, como era de se esperar, pela sua temática e pelo crescente falso conservadorismo do nosso país, teve poucas salas de cinema para sua exibição, mesmo com muito alarde (o lançamento em DVD, Blu-ray e lojas digitais é para abril). Mas para quem ainda vai assistir, não deixem de se deliciar. Garanto que você será transportado para cenários esplendidos e certamente se lembrará do seu primeiro grande amor.

Me Chame Pelo Seu Nome | Crítica Me Chame Pelo Seu Nome | Crítica Reviewed by Odairton Uchôa on quarta-feira, fevereiro 28, 2018 Rating: 5

0 COMENTÁRIOS

Postar um comentário

comentários
DISQUS