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American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace | Crítica


'American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace' é uma adaptação do livro de Maurren Orth, "Vulgar Favors"publicado em 1999. O roteiro é assinado por Tom Rob Smith (Crimes Ocultos) com episódios transitando entre situações verídicas e ficcionais. A série conta a história do serial killer Andrew Cunanan que assassinou de forma brutal o estilista Gianni Versace.

Produzida por Ryan Murphy (Glee, American Horror Story) "Versace" é a segunda história da franquia "Crime Story". Sua antecessora "O Povo Contra OJ Simpson" ganhou vários prêmios, entre eles 9 Emmys e 2 Globos de Ouro. No Brasil a série foi exibida pela FOX.

Andrew Cunanan (Darren Criss, Glee) é o mais novo de dois irmãos e o mais querido pelo pai, recebendo um tratamento diferenciado, estudou nas melhores escolas e em casa seu pai forçava a estudar assuntos diversos da atualidade para que o jovem tivesse um futuro brilhante. Andrew tornou-se um jovem inteligente, arrogante, egocêntrico, narcisista e manipulador.

Com a aparência e por ser um jovem é atraente, bonito, perigoso e instável, ele utiliza essas qualidades para conquistar seus objetivos. Assim, passou a trabalhar como garoto de programa para desfrutar uma vida de luxo e status. Andrew valorizava o dinheiro e tudo que ele é capaz de proporcionar, tornando-se ainda mais perigoso, fazendo uso de drogas e álcool. 


Andrew é um rapaz confuso e cheio de feridas em seu passado, oprimido pela família e a sociedade pela sua homossexualidade, buscando alternativas fáceis para satisfazer seus desejos. Assim cria uma obsessão pelo estilista Gianni Versace (Edgar Ramirez, Bright) traçando um plano para se aproximar e ganhar a sua atenção.

Gianni tinha um relacionamento aberto e de longa data com Antonio D´Amico (Ricky Martin). O estilista vivia em um momento de crise, sua marca passava por mudanças, ele estava com um câncer raro e sua irmã e braço direito, Donatella Versace (Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona), estava tomando a frente do negócio.

Andrew aproximou-se de Gianni e foi rejeitado por ser apenas mais um garoto inteligente e sonhador. A rejeição acorda o "monstro" interior de Andrew e ele começa uma jornada de assassinatos e crimes por onde passa até chegar ao seu objetivo final e elimina Gianni com dois tiros a queima roupa em frente a sua residência em Miami em plena luz do dia.


A série passa a explorar o passado de Andrew, os episódios apresentam como ele tornou-se um psicopata, os motivos e gatilhos que levaram as consequências dos seus atos e mostra como sua mente funciona. Darren Criss é um espetáculo em cena e mostra o quanto está confortável com o personagem e entrega momentos de extrema emoção. Parece que o papel foi feito única e exclusivamente para ele. Não apenas pela semelhança física, mas pelas emoções que o ator consegue passar entre os altos e baixos da conturbada vida do serial killer. 

Ryan Murphy mantêm um padrão, seguindo o impecável "OJ Simpson" com a caracterização e figurinos idênticos aos eventos reais. A fotografia é luxuosa e mostra de perto o mundo da moda, desde os primeiros rabiscos no papel até a confecção dos vestidos, a trilha sonora é outro ponto alto da série e destaca bem os anos 90. A série também aborda o preconceito e os tabus a cerca da comunidade LGBT e o surto de AIDS dos anos 90. 


O ponto negativo e provavelmente o grande problema da série é a forma que o roteiro desenvolve-se. Colocando em foco as aventuras de Andrew Cunanan e todos os motivos que o levaram a cometer os crimes, relatando detalhes desnecessários, durante vários episódios, a série torna-se repetitiva e em certos momentos previsível.

Faltou uma interação maior entre os personagens de Penélope Cruz, Ricky Martin e Edgar Ramirez tornando-os coadjuvantes na sua própria trama. As poucas cenas em que apareceram foram primorosas e entregaram cenas maravilhosas, mesmo em raras cenas e despertou a curiosidade de ver mais sobre a família Versace. A Jornada de Cunanan poderia ser enxugada e o roteiro explorar mais as subtramas. Não houveram surpresas ou plots twists, impedindo que a série prendesse do começo ao fim e mesmo com bons elementos, acabou se perdendo na sua própria ambição.

De modo geral a série carrega um legado de qualidade e apresenta personagens maravilhosos e atuações que provavelmente vai render alguns prêmios em um futuro próximo, porém se perde ao desenvolver a trama e não prende o espectador da forma desejada. Ainda com esses problemas, é uma série para ser apreciada pelos seus pontos positivos.

American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace | Crítica American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace | Crítica Reviewed by Cintia Milanez on 20:53:00 Rating: 5