Reprodução/Divulgação

'Kitty', de Elle S.


Quando recebi 'Kitty', da autora Elle S., para resenhar, aceitei mesmo não sabendo sobre o que se tratava. Passando algum tempinho, fui atrás da sinopse para ver se eu ia realmente me interessar. E não é que me interessei? Afinal, não é todo dia que pegamos um livro que a personagem principal é um... felino. *pisca*

"Conheci como a palma de minha pata cada espaço, cada calçamento, cada aroma e cada novidade. E, em mais de quatrocentos anos, nunca pude dizer que tinha realmente vivido até aquele dia."

Elle S. nos leva até São Paulo, por suas ruas e becos, para conhecermos Kitty, uma gata que mora na rua e acha que está muito feliz com isso, pois ela é independente. A última coisa que ela precisa é que um humano a pegue e adore-a. Ainda mais se esse humano for um cara bêbado, chorão e que vomita em becos escuros tarde da noite, porém lindo, ruivo e possuidor de belíssimos olhos castanhos que sempre parecem irradiar bondade. ARGH! Ela não pode se apaixonar! Ela não pode... Ela não... Ela... Se apaixonou. Kitty possui um grande segredo e ela vai tentar fazer de tudo para que esse segredo não venha à tona e prejudique mais a vida dela e a vida daqueles que ela aprendeu a amar.

"Gatos deveriam ser altivos, donos de si, elegantes em todos os malditos casos Ousava dizer que, em certos casos, éramos até mesmo selvagens e isso era uma qualidade estupenda para nós, os felinos. Entretanto eu, ao simples som da voz de Eduardo, me esquecia de toda a tradição da minha espécie."

O livro "começa" com o trecho de uma música do (meu) ruivo delícia, Ed Sheeran, então só por isso já mereceu 5 estrelas minhas *risos*. Okay, brincadeiras à parte, vamos ao que interessa.

A história em si é muito fofa, me lembrou a história da Disney, A Bela e a Fera (que por sinal é a minha favorita), só trocando seus personagens, suas maldições e com algumas diferenças: Kitty não pode se comunicar com ninguém, sejam eles humanos ou animais, e foi isso que me fez gostar do livro e prender a minha atenção. Você vai se surpreender que por mais que exista essa barreira na comunicação, o livro é legal e divertido. Não vou negar que algumas coisas ali me incomodaram bastante (muita lamúria da Kitty para pouco livro) e outras foram tão "WTH?!" que até agora não sei nem o que pensar, nem o que sentir. Mas isso não torna a leitura chata ou cansativa. O livro é leve, engraçado, e como já disse, fofo.

"A dor de não ser capaz de ser compreendida, de viver no silêncio para sempre me matava, me tornava uma massa fraca de sentimentos. E eu odiava ser fraca. Odiava sentir pena de mim mesma. Odiava reconhecer que eu não era nada do que me fazia aparentar: não era altiva e elegante gata, alheia a sentimentos, cheia de classe. Eu era só uma gata suja, eterna e silenciada."

Sobre os personagens – queria que Kitty tivesse lutado com mais afinco pelo que queria, mostrasse seu lado guerreiro para buscar sua felicidade, mas por outro lado, entendi todas as atitudes e escolhas que ela teve de fazer. É muito difícil abrir mão daquilo que gostamos por causa de um 'bem maior'. Eduardo... Ah, Edu *suspiros*. Esse aí me conquistou já no primeiro capítulo. Tudo bem que em alguns momentos ali eu queria estrangulá-lo e perguntar: "O que diabos você está fazendo, cara?!", mas no final lá estava eu, de novo, arriada aos quatro pneus por ele. Edu merecia ser amado, tipo, verdadeiramente amado e foi justamente o que Kitty fez: amo-o de todo coração, por mais que em alguns momentos doesse demais fazer isso. O resto dos personagens foram muito apaixonantes (exceto Alice), principalmente Arthur e Marwin. Me diverti muito com os dois.

"– Eu queria que você fosse humana, Kitty."

Kitty é o tipo de livro para você pegar em uma tarde chuvosa, que você só quer relaxar com uma leitura leve e rápida. Tem tudo o que você gosta: romance, mistério, surpresas, risadas. O final me faz crer que possa ter outro livro envolvendo outros personagens e pelo jeito, se tiver, será hilário. Sinto isso. *risos*

Parabéns ao Grupo Editorial Arwen pelo trabalho lindo que tiveram com o livro. A diagramação é fofa e lindinha, do jeito que é a história, com desenho de gatos a cada início de capitulo. E a capa?! Por mais simples que ela pareça, achei-a muito bonita. *pisca*

"Certamente, estar apaixonada era a pior das maldições que existia."

Boa leitura!

'Kitty', de Elle S. 'Kitty', de Elle S. Reviewed by Carol Torres on segunda-feira, abril 20, 2015 Rating: 5
comentários
DISQUS