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'Escuridão Total Sem Estrelas', de Stephen King


Pessoas comuns em situações incomuns. É sobre isso que Stephen King disse que gosta de escrever, segundo o Posfácio, e é isso que vemos em 'Escuridão Total Sem Estrelas', lançado pela Suma de Letras. Personagens que poderiam ser sua irmã, seu pai, ou eu e você.

Sabe aquela frase “Ninguém é 100% bom ou 100% mau”? Essa é uma frase que define bem esse livro. Todos temos um pouco de escuridão dentro de nós, só depende de nós mesmos deixar a luz ser parte maior, ou não. Para mim essa foi a maior mensagem do livro.

1922

O primeiro, e maior, conto do livro é uma confissão de Wilfred James. Por meio de uma carta, que ele está escrevendo em 1930, ele conta como matou sua esposa Arlette, no fatídico ano de 1922. Para isso, ele teve a ajuda do filho Henry. Tudo começou quando Arlette herdou do pai 100 acres de terra. A família vivia no campo, e Arlette desejava vender das terras que herdou, mais as do marido, e ir viver na “cidade grande”. Mas Wilfred sempre gostou do campo e foi contra a ideia. Depois de meses de discussão, ele convence o filho que a melhor alternativa é matar Arlette.

A descrição da morte de Arlette é um pouco pesada, com todos os detalhes sangrentos. Depois da morte da mulher, Wilfred passa a fazer de tudo para a polícia não descobrir. E ele consegue. Mas o preço que paga por isso é caro demais. O melhor de 1922 é ver a transformação do personagem, a forma em que ele foi levado à loucura. Por ser em primeira pessoa, apenas no final, com uma reportagem de jornal, temos noção da dimensão que as coisas tomaram.

O Gigante do Volante

Esse conto se passa nos dias atuais e trata de um tema bem importante: o estupro. Tess é uma escritora famosa. Uma mulher de 30 e poucos anos independente e bem-sucedida. Certo dia ela é convidada a dar uma palestra em uma biblioteca, e na volta para casa acaba caindo em uma armadilha. Seu carro acaba passando por cima de pedaços de madeira com pregos, e quem aparece para “ajudar” é seu estuprador, o Gigante do Volante.

Podemos ver nesse conto Tess tomar atitudes erradas pelas razões certas. É aquela história de “olho por olho, dente por dente”. Esse conto tem uma semelhança com o anterior, que é o fato dos personagens principais acharem que estão fazendo determinadas ações porque determinado lado deles está “falando mais alto”; no caso de 1922, “o homem conivente” fez Wilfred matar a esposa, e em O Gigante do Volante a “nova Tess” quem fez justiça contra seu estuprador.

Extensão Justa

Dave Streeter é um homem de meia-idade com câncer, que um dia na volta para casa, encontra um vendedor na beira da estrada com uma placa escrita “Extensão Justa, Preço Justo”. Ele resolve ir até o vendedor e saber o que ele está vendendo, pois não vê nada em cima da banca. Papo vai, papo vem, ele descobre que o senhor Odabi (o vendedor), pode oferecer qualquer tipo de extensão. Seja uma extensão de cabelo, de crédito e até de vida. Mas claro que isso tem um preço, e justo, de acordo com Odabi.

Infelizmente esse é o menor conto do livro. Achei uma pena, pois poderia ter rendido bem mais. Depois da negociação entre Streeter e Odabi, os anos passam rapidamente. “Em 2003 tal fato aconteceu. (....) Em 2008 fulano morreu”. Parece que o Stephen King ficou sem criatividade e queria acabar logo com a história.

Um Bom Casamento

Darce e Bob são casados há 27 anos, tem dois filhos e vivem uma vida boa e feliz. Bob é numismata, e de vez em quando viaja para compras/vender moedas. Em uma dessas viagens, quando Darce estava sozinha em casa, ela acaba descobrindo uma caixa na garagem com um segredo de Bob que vai mudar sua vida para sempre, fazendo-a se perguntar se realmente conhece o marido.

Eu já tinha lido a respeito desse conto, por causa da adaptação cinematográfica, e estava bem curiosa para lê-lo. Assim como em 1922, a descrição de certa morte é meio pesada (eu, particularmente, tive que parar a leitura e continuar depois). Outra semelhança é o “alter ego”; dessa vez a personagem principal mostra outro lado seu como “A Esposa Sombria”. A história prende bastante e é ótima, mas poderia ser melhor. Achei o final meio clichê, esperava algo com mais reviravolta.

'Escuridão Total Sem Estrelas', de Stephen King 'Escuridão Total Sem Estrelas', de Stephen King Reviewed by Desirée Soares on quarta-feira, agosto 19, 2015 Rating: 5
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