'De volta à Bahia', novo longa da Magia Filmes com distribuição pela Swen Filmes, chega com uma premissa solar: o encontro entre Maya (Bárbara França) e Pedro (Lucca Picon) no litoral baiano. O destino dos dois se cruza após um afogamento em que Pedro salva Maya, um evento que, seguindo a lógica da era digital, viraliza instantaneamente. Entre as ondas de Salvador e a mentoria de PH (Felipe Roque), o filme tenta apresentar um romance impulsionado por "tormentas" emocionais que prometem agitar a trama.
A história tem potencial para ser um bom entretenimento sobre amadurecimento, carreira e o momento de se desvincular do "ninho" familiar; inclusive, teria o enredo perfeito para uma novela das 19h. No entanto, o roteiro sofre com a superficialidade. O texto é picotado e não se aprofunda nos conflitos, deixando no espectador a sensação de assistir a uma sucessão de cortes para redes sociais intercalados por belas imagens de Salvador.
A direção de Eliezer Lipnik e Joana di Carso (também roteirista) cai em vícios de linguagem televisiva que pesam na experiência cinematográfica. A montagem abusa de imagens de acervo para transições e insiste em locações estáticas, como o posto de gasolina de um patrocinador, que aparece repetidamente sem que os personagens sequer desçam para abastecer a Kombi defeituosa. Uma interação que, se ocorresse, traria uma organização à narrativa.
Além disso, há um erro de casting ou de caracterização difícil de ignorar: a pequena diferença de idade entre Felipe Roque e Lucca Picon torna a dinâmica de "figura paterna e melhor amigo do pai falecido" pouco convincente. O mentor acaba soando mais como um "coach motivacional" de frases prontas do que como uma base emocional.
No núcleo familiar, senti falta de mais tempo de tela para Beth (Mariana Freire), mãe de Pedro. Dado o prestígio de seu restaurante na história, a personagem poderia sustentar um núcleo mais robusto, quem sabe com um alívio cômico entre os funcionários. No caso faltou adicionar mais alguns personagens, pois o único funcionário é seu próprio filho.
No elenco, que conta com nomes como Werner Schünemann (que faz uma rápida participação como pai da Maya e retrata a falta de contato após um momento de luto) e Juliano Laham, mas para mim, a verdadeira estrela é Maria Paula Caetano, que interpreta Diana. A amiga da protagonista é, de longe, a personagem mais carismática, mas o maior erro é deixá-la confinada a videochamadas durante quase todo o filme, surgindo fisicamente apenas na cena final.
Com fotografia de LC Pereira e trilha de André Whoong, 'De volta à Bahia' entrega belos cartões-postais, mas se perde em uma execução que não foge do óbvio. É uma pena, pois uma história simples como esta pedia diálogos mais longos e conexões humanas mais profundas.