Reprodução/Divulgação

A Forca | Crítica


Jason tinha um facão... Freddy tinha uma luva... Charlie assusta, mas nunca chegará aos pés desses ícones do terror.

Se você mora com alguma criança entre sete e treze anos de idade já deve ter ouvido falar da brincadeira do Charlie, uma espécie de nova versão de brincadeiras que nos assustavam quando mais novos, como a brincadeira do compasso. Sei que minhas irmãs comentaram comigo, mas na hora eu não me importei muito, afinal achei que era apenas coisa de criança que sempre se impressionam com assuntos sobrenaturais, porém quando soube que a brincadeira se tratava de uma campanha de marketing para promover um novo filme de terror e havia sido criada pela Warner, logo me interessei, afinal não víamos uma estratégia de marketing assim desde “A Bruxa de Blair” de 1999. Procurei pelos trailers e achei interessante, mas infelizmente o filme é apenas mais um terror que aposta nos clichês clássicos do gênero, e não de uma maneira boa.

A trama consta a história de Charlie, um jovem que acabou sendo enforcado acidentalmente durante uma peça escolar. Anos depois, a peça está sendo refeita na mesma escola, mas um grupo de alunos decide invadir o colégio no meio da noite e destruir o cenário, para que um deles não tenha que se apresentar, e é aí que o terror começa e o espirito de Charlie, que ainda assombra a escola, decide atacar.

'A Forca' é filmado no estilo found footage, popularizado nos últimos anos com a franquia “Atividade Paranormal” e o já citado “A Bruxa de Blair”, mas não inova em absolutamente nada e ainda tenta dar aquela sensação de realidade ao não mudar o nome dos principais atores na história, uma estratégia desnecessária e apelativa. Porém, os quatro jovens principais (Ryan Shoos, Cassidy Gilfford, Reese Mishler e Pfeifer Brown) apresentam boas atuações e realmente nos fazem acreditar que estão com medo. Ao mesmo tempo, todos os personagens são estereotipados da pior maneira possível. Ryan é o típico garoto popular da escola que pratica bullying com boa parte dos alunos, Cassidy é a loira que sempre é uma das primeiras a morrer nesse tipo de filme, Reese é o garoto apaixonado que tenta fazer de tudo para proteger a paixonite e Pfeifer é a rainha do teatro que fará de tudo para proteger a peça.



O roteiro da obra também peca em apostar em sustos baratos e ainda deixar a câmera parada por um longo período de tempo e assim o público já pode ter certeza que um susto está se aproximando. No entanto, o roteiro apresenta um plot twist um tanto quanto ousado, e completamente inesperado, sendo esse o ponto alto do roteiro. A fotografia também se destaca, pois o filme não abusa de imagens de má qualidade para dar a impressão de uma filmagem caseira, outro ponto positivo do terror.

Acredito que os diretores/roteiristas Travis Cluff e Chris Lofing e a própria Warner basicamente queriam criar um novo ícone do terror com uma produção independente e talvez repetir o sucesso de “Halloween” de 1978 e popularizar o assassino Charlie na imaginação das pessoas para vender fantasias e talvez render mais filmes, afinal esse estilo de filme raramente gera prejuízo para os estúdios. Até a publicação desse texto, A Forca garantiu U$ 21.690, 522 nos países onde estreou, para um orçamento de apenas U$ 100,00. Então, prepare-se, pois essa pode não ter sido a última vez que ouvimos falar de Charlie.


O filme possuí algumas inconsistências em seu arco principal e é visível que os diretores não possuem muita experiência no ramo ainda, mas “A Forca” vale o ingresso para aqueles que apenas estão procurando um filme para se divertir e levar alguns sustos, e apesar das falhas, ambos os diretores parecem ter potencial e melhorar suas técnicas em projetos futuros, só nos resta torcer para que os dois não permaneçam sempre no mesmo gênero.

A Forca | Crítica A Forca | Crítica Reviewed by Roberto de Carvalho Neto on sexta-feira, julho 31, 2015 Rating: 5
comentários
DISQUS