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Quarteto Fantástico | Crítica


Não vá ao cinema esperando um filme de super-herói,
mas espere um bom filme.

Dez anos se passaram desde o lançamento de Quarteto Fantástico (2005), dirigido por Tim Story, e embora o filme e sua continuação tenham tido uma boa bilheteria, a FOX decidiu que os personagens mereciam um reboot, ainda mais agora que filmes de super-heróis e universos compartilhados estão em alta.

O projeto teve dificuldades para sair do papel desde a escalação do elenco de protagonistas e algumas liberdades criativas que os produtores tiveram. Não vamos esquecer o fato de que o filme teve que ter sido feito às pressas apenas para que a FOX não perdesse os direitos dos personagens para a Marvel Studios. Para piorar a situação, nos últimos meses o filme passou por refilmagens e rumores ainda apontaram que os executivos chefes da FOX não gostaram nada do resultado final e então o diretor Matthew Vaughn (X-Men: Primeira Classe) foi chamada para refilmar algumas cenas, embora nada disso tenha sido confirmado.

O diretor Josh Trank (Poder Sem Limtes) é inexperiente, mas é possível perceber que Trank possui uma visão completamente nova para esses personagens e esse universo, o que já diferencia a fita de todos os outros filmes do gênero como X-Men, Batman e principalmente os filmes da Marvel Studios. É evidente que o diretor não se inspirou em outros filmes de super-heróis, mas sim em filmes de ficção cientifica, e na versão Ultimate dos quadrinhos do quarteto, o que deu ao filme um tom totalmente novo.

O elenco está muito bom, Miles Teller (Whiplash: Em Busca da Perfeição) interpreta um perfeito Reed Richards/Senhor Fantástico. Nerd, inteligente e desengonçado, o que já nos faz adorar o personagem. Sem dúvidas, Kate Mara (House of Cards) foi a escolha perfeita para interpretar Sue Storm/Mulher Invisível, seus traços são incrivelmente semelhantes com os quadrinhos, e apesar do seu cabelo ter vida própria, a atriz apresenta um desempenho impressionante durante todo o filme. Michael B. Jordan (Namoro ou Liberdade) não é nada parecido com o Tocha Humana dos quadrinhos, o que já foi suficiente para os fãs caírem matando. Mas o ator incorporou o personagem em suas características mais marcantes, como a coragem, o senso de humor e a rebeldia. Jamiel Bell (Ninfomaníaca: Volume 2) também não é parecido com o Bem Grimm dos quadrinhos, mas o ator também tem um ótimo desempenho. Já Toby Kebbell (Planeta dos Macacos: O Confronto) apresenta uma boa atuação, mas o personagem não se parece em nada com Victor Von Doom/Dr. Destino, um dos mais terríveis vilões dos quadrinhos. Um dos pontos altos do filme é certamente a química entres o elenco que mostra companheirismo, amizade e ótimos diálogos, nos dando a impressão de uma verdadeira família, e também os únicos momentos onde vemos uma pitada de humor.

Os efeitos especiais estão ótimos também, apesar do orçamento pequeno para um filme como esses. O modo como todos os personagens usam seus poderes é infinitamente superior aos filmes anteriores. A escolha de fazer “O Coisa” através de captura de movimentos foi acertada. Nunca um ser-humano se esticou tão bem no cinema como essa versão do Senhor Fantástico. Os campos de força da Mulher Invisível são idênticos aos dos quadrinhos e as chamas do Tocha Humana parecem muito mais realistas. A fotografia do filme também está lindíssima, os tons escuros combinam com o tom e o universo da história, e apesar do filme ter sido filmado em Nova Orleans, realmente faz parecer que se trata da cidade de Nova York.

Infelizmente o roteiro não é livre de falhas, as placas indicando as muitas passagens de tempo poderiam ter sido menos utilizadas, e é evidente que o filme sofreu alterações de última hora por ordem do estúdio. Infelizmente em nenhum momento do filme, os personagens são chamados por seus pseudônimos de super-heróis, assim como a população geral não fica sabendo da existência desses novos heróis, mas talvez isso já fosse planejado para uma possível sequência.

A ação é quase nula nesse filme, o que alguns podem estranhar, mas foi melhor para desenvolver os personagens. E apesar disso, as poucas cenas de ação já bastam para ver o Quarteto Fantástico em sua melhor forma, assim como nos quadrinhos.

Por fim, Quarteto Fantástico chega para provar que é possível fazer filmes de super-heróis, mas explorar esse nicho por diversos gêneros e ainda inovar nos quesitos certos. Infelizmente, o público parece não gostar de novas ideias ou liberdades criativas em personagens e histórias que já conhecem. Também é preciso que o estúdio perceba que a franquia possui valor e um enorme potencial. Agora só nos resta esperar para ver qual é o futuro desses personagens no cinema.

Quarteto Fantástico | Crítica Quarteto Fantástico | Crítica Reviewed by Roberto de Carvalho Neto on domingo, agosto 09, 2015 Rating: 5
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