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"Batman vs Superman - A Origem da Justiça" demorou, e até demais. Após inúmeros filmes solos tanto do Batman, quanto do Superman (alguns bons, outros péssimos), vários filmes e séries animadas, e incontáveis encarnações nos quadrinhos, os dois maiores super-heróis de todos os tempos, e os maiores símbolos da DC Comics, finalmente se encontraram no cinema, em carne e osso, e felizmente, o resultado não poderia ter sido melhor.
'O Homem de Aço', longa de 2013, certamente dividiu a opinião de críticos e fãs, mesmo assim, a Warner confiou no diretor Zack Snyder ('Watchmen' e 'Sucker Punch - Mundo Surreal') e deu carta branca para o controverso cineasta iniciar e moldar o universo estendido da DC Comics no cinema, após os filmes da Marvel Studios se saírem tão bem nas bilheterias mundiais.

O amor que Snyder sente por esses personagens é pressentível em cada quadro do filme, e apenas ele nos entregaria um filme tão fiel como esse, com apenas algumas liberdades criativas que também só favoreceram a história do filme.

Entre o elenco, temos o retorno de Henry Cavill (O Agente da U.N.C.L.E) como Superman/Clark Kent, Amy Adams (Trapaça) como Lois Lane, Diane Lane (Divertida Mente) como Martha Kent e Laurence Fishburne (Matrix) como Perry White. Todos estão ótimos no longa, e cada um possuí um bom tempo em tela. No entanto, é importante destacar como as atuações de Cavill e Adams melhoraram desde o filme anterior. O Superman de Cavill é incrivelmente fiel aos quadrinhos, principalmente as histórias recentes dos Novos 52, assim como seu Clark Kent tem um charme e até uma certa inocência muito boa de ver. E nunca, nem mesmo no cinema ou na TV, tivemos uma Lois Lane tão perfeita e tão ativa na história. Amy Adams definitivamente nasceu para viver a icônica personagem.

E após muita polêmica, Ben Affleck (Garota Exemplar) finalmente veste a capa do Batman e o terno de Bruce Wayne e prova que a Warner não poderia ter escolhido outro ator para viver o Morcego de Gotham nessa nova fase do personagem nas telonas. O ator incorpora o Batman da maneira que todos queríamos ver. Em vários momentos do filme, vemos a versão clássica dos quadrinhos, a versão consagrada dos jogos da série Arkham, e a versão mais recente dos Novos 52. O resultado? O Batman que sonhávamos ver no cinema desde sempre, superando todas as outras encarnações do personagem, até mesmo Michael Keaton e Christian Bale.

Jeremy Irons (Dezesseis Luas) também faz um ótimo trabalho com seu Alfred Pennyworth, tendo boa participação na ação. E Holly Hunter (Os Incríveis) também se destaca, em meio a um elenco tão grande, interpretando a senadora Finch. Outro que se destaca positivamente é Jesse Eisenberg (A Rede Social) como o vilão Lex Luthor. Muitos fãs não gostaram da nova encarnação do personagem, mas Eisenberg soube renovar o personagem no tom certo. Em anos, vimos exatamente a mesma versão de Luthor nos cinemas, na TV e nos quadrinhos. Assim, ver uma nova abordagem do famoso vilão é um dos vários pontos que favorece o filme.

Em meio a tantos atores e tantos personagens, ainda temos Gal Gadot (Velozes e Furiosos 7) como Mulher-Maravilhas/Diana Prince. A personagem possuí poucas cenas, certamente só colocaram ela nesse filme para introduzir ela ao público antes de seu filme solo (previsto para 2017). Mesmo assim, a estreia da maior heroína de todos os tempos não poderia ter sido melhor, Gadot rouba completamente a cena, mesmo quando Batman e Superman estão do seu lado. A atriz que também sofreu com alguns fãs após ser confirmada no elenco, definitivamente conquistou o público.

A fotografia do filme também é um show à parte. Nunca as cidades de Metropolis e Gotham apareceram tão realistas e tão belas em vídeo. O CGI é utilizado em vários momentos, mas isso não tira a beleza e a realidade do filme. Ponto para o pessoal dos efeitos especiais que realizaram um trabalho único, tanto nesse ponto, quanto na criação do vilão Apocalipse, no Batmóvel em algumas cenas e nas cenas de destruição em massa.

A trilha de Hans Zimmer também é fenomenal, e dá o clima certo para vários momentos importantes do filme, tanto sombrios quanto emocionais. Destaque para a faixa "Is She with You?", tema oficial da Mulher Maravilha. A personagem não teria sido introduzida de maneira tão perfeita se não fosse por essa composição.

Embora tenha agradado alguns e sido repudiado por muitos, "Batman vs Superman - A Origem da Justiça" é o filme que os fãs merecem e o início do universo estendido da DC Comics nos cinemas não podia ter começado de uma maneira mais épica, fiel ou perfeita. Esse filme certamente ainda será discutido e lembrado por anos.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça | Crítica Batman vs Superman - A Origem da Justiça | Crítica Reviewed by Roberto de Carvalho Neto on 09:46:00 Rating: 5