Reprodução/Divulgação

TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva | Crítica

Já sei que comédia nacional é um assunto que não é para todo mundo, principalmente quando uma das estrelas do filme é Tatá Werneck, que é daquelas que tem muita gente que ama e vários que amam odiar. Porém ao assistir 'TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva' vai perceber que talvez o título não tenha sido muito feliz, porém existe uma mensagem por trás dele.

Kika K. (Tatá Werneck) é uma estrela em ascenção no Brasil. Veio da internet, é uma sucesso na televisão como Marcinha (uma de suas versões de Fernandona) na novela 'Passos Tortos', que contracena com Caio Astro (Bruno Gagliasso) seu namorado na trama e na "vida real" (e também é uma obcecado por sexo). 


Ela e Carol (Vera Holtz), sua assessora, estão sempre em busca de mais, inclusive o papel principal na próxima novela das 21h, que disputa com uma versão nada carismática da Ingrid Guimarães (interpretada por ela mesma). 



Logo no início percebemos que Kika é insegura em relação a sua vida pessoal e profissional. Sempre conta situações malucas de seus sonhos e acredita que algo neles pode ser uma mensagem para sua vida, sem contar as pressões que sofre da assessora. Podemos ver que a personagem não tem muito controle de sua vida profissional, principalmente ao descobrir, no dia do lançamento, que "escreveu" um livro, com "1003 maneiras de ser feliz". E é a partir dele que a história começa a ser encaminhada.


Na sessão de autógrafos, Kika está fora de si, após tomar uma medicação inapropriada, dada por sua assessora, pois foi mordida por um macaco nos bastidores de um programa de entrevistas quando divulgava seu livro. Na livraria, além de encontrar com Felipão (Luis Lobianco) seu fã obsessivo (e que tem até uma ordem de restrição), ela recebe um pacote de seu ghost writer Arthur (Pedro Wagner). Após passar o efeito do remédio e conferir os presentes que ganhou, encontra seu livro autografado por ele e com a mensagem "talvez não seja seu melhor livro, mas provavelmente será o mais lido". 

A mensagem deixa ela pensativa, e a faz retornar na livraria no dia seguinte para tentar encontrar o endereço do escritor. Lá conhece Vladimir (Daniel Furlan), funcionário da loja, que invade o sistema e passa para ela as coordenadas para chegar na casa do autor de seu livro. Sem ideia de como chegar lá, ele oferece uma carona para Kika e a partir dessa visita que ela começa a pensar sobre sua vida, o que quer para o futuro e quanto vale a felicidade.

Pelos comentários que li, esse é um filme que divide opiniões. Muitos gostaram, pois a personagem de Tatá Werneck lembra muito as que fazia em seus programas na MTV. Outros não, pois o filme parece não ter rumo e a atriz parece sempre "fazer a mesma personagem".

Porém 'Transtornada Obsessiva Compulsiva' é bem claro, traz uma visão do mundo das celebridades que normalmente não é muito percebida pelo público, principalmente quando vemos Kika K. infeliz participando de programas e propagandas totalmente sem sentido, guiadas pela obsessiva busca pela fama e destaque na mídia. E talvez por já ter um estilo caricato, que faz as pessoas rirem sem ter razão, Tatá tenha sido a melhor escolha para o papel.

Apesar dos poucos momentos de TOC que vemos em Kika K. (normalmente direcionados a cores e linhas de pisos), podemos perceber que o título por extenso do filme faz muito mais sentido do que a sigla, ainda mais se formos relacionar com os outros personagens da trama, que se mostram muito transtornados, obsessivos e compulsivos em vários sentidos. Um ponto importante é lembrar que eles não usaram o TOC como uma alternativa de piada dentro das situações da trama. Talvez até por isso eles deixaram de lado, e com fonte bem pequena, nas artes de divulgação.

O roteiro é rápido, com situações engraçadas (como a da buceteta, os encontros de Kika com Ingrid ou a cena de choro), muitos palavrões e sem dúvidas cheio de ironias. A mensagem que fica é que a ansiedade por resultados não leva à nada. No fim os resultados podem ser felizes por um curto tempo e depois podem até levar a uma destruição emocional.

'Transtornada Obsessiva Compulsiva' é muito bom, que foge um pouco do óbvio das comédias nacionais. Resta saber se todos vão conseguir captar a mensagem ou fazer relações com as situações do filme, que rodeiam nossas vidas, principalmente nesse momento de ascensão das celebridades nas redes sociais. Ligue o "FODA-SE" e assista, sem medo.

TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva | Crítica TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva | Crítica Reviewed by Lucio Pozzobon on quinta-feira, fevereiro 09, 2017 Rating: 5

0 COMENTÁRIOS

Postar um comentário

comentários
DISQUS