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A Múmia | Crítica

Baseado no clássico de terror de 1932, uma versão atualizada de A Múmia foi lançada nas telonas em 1999, com o carismático Brendan Fraser e a maravilhosa Rachel Weisz. Esse foi o primeiro filme de uma franquia de três filmes, onde o segundo filme conseguiu ser melhor que o primeiro e o terceiro filme divide opiniões até hoje.

O diretor Alex Kurtzman traz aqui um reboot do conto dos mortos com uma versão diferente na esperança de trazer novas emoções para o clássico de terror e lançar uma nova franquia, confirmada pela Universal Pictures.

O filme começa com o Dr. Henry Jekyll (Russel Croew), e sua narrativa que nos leva em um flashback. Ele conta a história de Ahmanet (Sofia Boutella), uma princesa egípcia que trai sua família ao fazer um pacto com Set - o Deus da morte egípcio - mas que é capturada e punida por seus crimes, punição essa que a faz ser enterrada viva e amaldiçoada por toda a eternidade.

Na Mesopotâmia, atual Iraque, Nick Morton (Tom Cruise) é um soldado de moral questionável  e ao lado do seu parceiro Chris (Jake Johnston), saqueiam sítios arqueológicos e vendem seus "achados" no mercado negro. Após um confronto com alguns insurgentes, um buraco enorme surge no local do confronto e Nick e Chris são confrontados pela Jenny Halsey (Annabelle Wallis), de quem Nick roubou um mapa. Nesse local acidentalmente Nick libera o túmulo de Ahmanet e desperta o espírito da múmia. Agora, com a ajuda de Jenny e do Dr. Jekyll, eles enfrentam uma corrida contra o tempo para por fim a força destrutiva que ele desencadeou no mundo.


A última versão de 'A Múmia' rouba temas de filmes passados como 'Um Lobisomem americano em Londres', 'Frankenstein', 'Dr. Jekyll' e 'Mr. Hyde', apenas para citar alguns. O filme é composto de coisas estranhas e desnecessárias lançadas nessa mistura - os temas emprestados dos clássicos de terror são apenas uma falta de criatividade na parte dos cineastas. O enredo, uma criatura antiga de volta a vida para criar caos é muito familiar, deixando nada de novo para  a imaginação.

O filme contém pitadas minúsculas de romance e alguns momentos cômicos, juntamente com muita ação e algum suspense. E é ai que está o maior erro do filme. Parece que os produtores não conseguiram se decidir o queriam que o filme realmente fosse. Um filme de ação, de comédia ou de terror. Os elementos do filme não se misturam com simplicidade, mas de uma forma muito abrupta e ruim, como se pulasse de um gênero para outro. Há alguns visuais impressionantes no filme e algumas cenas angustiantes (a maioria mostrada nos trailers) que pode proporcionar alguns momentos de tensão.

Tom Cruise tenta, mas o seu retrato de Ethan Hunt - dos maravilhosos filmes da franquia 'Missão Impossível' - está tão enraizado em si, e com toda ação exacerbada que o filme empurra, se torna impossível não vê-lo como um agente da IMF fugindo de alguma perseguição.

Russel Crowe como Dr. Jekyll, basicamente serve como um Nick Fury ('Os Vingadores'). Apresenta sua história com diálogos ruins e tenta amarrá-la com o enredo de 'A Múmia' fez com que tudo pareça muito perdido e desesperado para compor esse universo compartilhado. Óbvio que a introdução de sua história já é para nos preparar para os próximos filmes, mas a tática não funciona e podiam ter mantido seu personagem em segredo. O filme poderia ser muito melhor se os personagens de Cruise e Wallis fossem os responsáveis pela criatura, ou simplesmente tivessem o personagem de Crowe como um novo antagonista.


Sophia Boutella, como a múmia, é sedutora e misteriosa, embora esteja enterrada sob  maquiagem. Ela parece ótima, mas muito mais poderia ter sido feito com seu personagem, houve uma oportunidade colossal perdida aqui para criar um gigante feminino, imponente e assustador monstro. Sophia é maravilhosa, mas infelizmente foi mal aproveitada. Já a Jenny de Annabelle Wallis, é um alguém tão sem carisma que tenta desesperadamente fornecer profundidade à personagem, mas não consegue.

Com essa coleção de falhas 'A Múmia' consegue ser aquele tipo de entretenimento que você vai assistir, e logo mais vai esquecer. Os últimos 20 minutos do filme são absolutamente desconcertantes, com pouco ou nenhum sentido, mesmo com a enorme quantidade de diálogo exposto no filme.

Só porque 'A Múmia' é ruim, não significa que não haja um futuro para o futuro 'Dark Universe'. O que esses filmes precisam é encontrar uma personalidade distinta que fique mais próximo das origens de terror dos personagens, em vez de tratar o filme como um blockbuster de ação. 'A Múmia' só compartilha o nome de um clássico de terror e nem toca nos elementos de terror além de um nível superficial. 

Gostaria de ver esses filmes na mão de um diretor de terror que esteja disposto a tomar decisões arrojadas e estranhas, que não se destinam simplesmente a replicar o modelo comercial da Marvel. Se a bilheteria não for boa o suficiente e o 'Dark Universe' não vierem à tona, é um filme que logo mais estará nas areias do esquecimento.

A Múmia | Crítica A Múmia | Crítica Reviewed by Marko Miller on quinta-feira, junho 08, 2017 Rating: 5

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