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A Torre Negra | Crítica


Previamente considerada uma saga impossível de se adaptar para o cinema, 'A Torre Negra' finalmente ganhou um filme, estrelado por Idris Elba, que talvez seja capaz de agradar o público infanto-juvenil, mas dificilmente será mais do que isso.

Tentarei não traçar muitas comparações com o material original, uma vez que o filme se propõe a contar a história do que veio depois da saga principal. Mas é suficiente dizer que fãs dos livros de Stephen King não estarão satisfeitos com o escopo do filme e sua retratação deste vasto universo.

'A Torre Negra' acompanha o jovem Jake Chambers, um rapaz que é tido como estranho por sua mãe e seus amigos por causa de seus estranhos desenhos e sonhos perturbadores que o perseguem. Jake (Tom Taylor) eventualmente se envolve no longo embate entre o Pistoleiro (Idris Elba) e o Homem de Preto (Matthew McConaughey), onde o Pistoleiro está sempre tentando impedir que o Homem de Preto destrua a Torre Negra.


Muito da abordagem do filme  se assemelha aos filmes infanto-juvenis dos anos 80, com um jovem protagonista descobrindo um mundo mágico e se tornando um fator essencial em meio à uma batalha épica. A diferença, no entanto, está  no fato de que nem Jake Chambers, nem o Pistoleiro, possuem uma construção de personagem interessante.

O filme falha em criar qualquer engajamento com os personagens principais, nos forçando à acompanha-los apenas pela simpatização com seu sofrimento. No lado antagonista, O Homem de Preto também está longe de ser um vilão tão imponente quanto sua inspiração original. McConaughey mais parece um típico inimigo de super-heróis com diversos momentos "maléficos" bregas, onde só falta a gargalhada maligna para completar o clichê.

Assim como em diversos blockbusters atuais, 'A Torre Negra' ignora as direções mais básicas para a criação de atmosfera e expectativa em torno de seus personagens, e espera que o público fique alienadamente satisfeito com viradas de roteiro que não foram propriamente arquitetadas. 


Idris Elba faz o quê pode com o personagem. Sua presença e imponência são sempre muito bem vindas em qualquer papel que o ator já encarou durante sua carreira, e aqui não é diferente. Em certos momentos, o filme tenta encaixar alguns momentos de alívio cômico com o personagem tentando lidar com o nosso mundo. Embora possam não estar tão bem alocados em questão de tonalidade, é possível dar algumas risadas.

A maior falha de 'A Torre Negra' é talvez semelhante ao que 'Valerian: A Cidade dos Mil Planetas' acabou ignorando em seu roteiro. Temos uma construção de um vasto universo, com apenas algumas poucas passagens que realmente ajudam a construir o seu escopo, e uma história que engloba riscos e consequências épicas culimando em um climax contido e frustrante demais para tanto.

As cenas de ação, embora possam empolgar, já foram em sua maioria vistas nos materias de promoção. Com sua curta duração, 'A Torre Negra' parece ter sido feito sem nenhum tipo de ambição, o quê não combina nem um pouco com a proposta de se explorar uma das maiores sagas literárias já escritas.

Por fim, 'A Torre Negra' também não consegue provocar nenhuma expectativa na expansão de seu universo. Com uma série já confirmada para ser produzida, é esperar para ver como a Sony Pictures irá lidar com essa franquia. Com um começo desses, será uma difícil tarefa.

A Torre Negra | Crítica A Torre Negra | Crítica Reviewed by João Felipe Marques on terça-feira, agosto 22, 2017 Rating: 5

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