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A difícil arte de lidar com o ego alheio

Fazia tempo que não sentia tanta agonia em ver pessoas tão próximas presas ao próprio ego. Só sua opinião importa. Só sua versão da história que existe. E um pequeno comentário (ou opinião pessoal) vira uma fofoca desnecessária que atrapalha os relacionamentos e pode ser o ponto inicial de uma briga. Mas até que ponto vale a pena ficar discutindo? E até que ponto você deve levar uma discussão de dois para um grupo de pessoas e envolver todos?

Cada vez mais percebo as pessoas se afastando e deixando de lado relações pelo simples medo de sentar e conversar cara a cara. As poucas vezes que isso acontece, é quase um tempo perdido, pois simplesmente as pessoas não conseguem desenvolver uma discussão. Afinal "nunca é o momento certo" ou "pode ser em um lugar mais reservado". Só que esse momento nunca chega e a insatisfação continua.

Isso vai do real ao virtual. Os grupos de mensagens cada vez mais criam essas situações. Sinceramente, é uma forma de conversa que cada vez mais tento evitar. Chamo no privado, mesmo que precise repetir a mesma informação algumas vezes. Afinal uma amizade não é um grupo, é a forma como você constrói a relação individualmente com cada pessoa que convive. Ou melhor, como decide ceder um espaço para conviver.

Muitas vezes tento levar o pensamento de "sou independente e não me afeto com os problemas dos outros" para o dia a dia. Isso pode ser uma parte ruim do meu ego. Mas chega um ponto que não consigo mais ficar convivendo com o medo de ser um pouco mais rigoroso (ou extremo) ao expressar uma opinião, ou até de me envolver em uma briga alheia. E isso me dói, porque não é da minha naturalidade agir assim. Não é normal pra mim conviver em ambientes que preciso escolher uma única amizade, um único lado.

Só porque o outro não te chama, não quer dizer que você não pode chamar. Amizade não é só um lado da moeda. É saber escutar, aprender, desculpar e muitas vezes dar espaço para discussões e afastamentos. Amizade não é estar presente ou concordar a todo momento. É saber respeitar esse espaço, entender as mudanças de cada um e perceber que você nunca será igual.

Também é entender os privilégios de cada um, como a situação financeira, as oportunidades de trabalho, dificuldades do passado ou até mesmo dos relacionamentos familiares. Ninguém vai ser igual e cada um vai carregar uma dor ou emoção em diferentes intensidades.

É provável que esse texto não atinja seu ego, ou simplesmente passe batido, e até que você não concorde. Mas precisamos pensar na amizade além dos momentos felizes e das selfies sorrindo. Uma amizade não pode sugar sua energia, muito menos te deixar triste e não ter paciência de discutir um problema. Você só precisa entender as vivências do outro e perceber que todo mundo precisa de um tempo. 

A difícil arte de lidar com o ego alheio A difícil arte de lidar com o ego alheio Reviewed by Lucio Pozzobon on quinta-feira, agosto 29, 2019 Rating: 5

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