O podcast "Nem Zapping Nem Zone" é uma homenagem do Cassio Neves e Lucio Pozzobon ao Zapping Zone, programa clássico do Disney Channel dos anos 2000. Cada programa terá muitas indicações e comentários sobre artistas, séries e filmes do canal (e muito mais!) ⭐
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No oitavo episódio da terceira temporada do 'Nem Zapping Nem Zone', a sequência de ‘O Diabo Veste Prada’ chegou para provar que até a Miranda Priestly precisa se adaptar à era digital e ao RH! Analisamos como o filme conseguiu ir além da nostalgia para falar sobre evolução, as participações especiais, os acertos da trilha sonora, as polêmicas da iluminação e como o público se vestiu para essa estreia.
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Embora carregue as conexões óbvias e necessárias com o clássico de 2006, ‘O Diabo Veste Prada 2’ acerta ao não se escorar no passado. O longa usa a passagem do tempo a seu favor para discutir adaptação e novas realidades. Essa abordagem, ampliou a campanha de divulgação e transformou o filme em uma obra independente, que pode ser perfeitamente assistida por quem nunca viu o original.
Para os fãs de carteirinha, as referências estão lá, mas surgem de forma orgânica. O icônico "azul cerúleo" reaparece em detalhes sutis e bem-humorados, seja nos cintos sendo vendidos em um parque ou no colete de tricô usado por Andy.
A grande virada, no entanto, está na humanização e modernização das dinâmicas de poder. Miranda Priestly, a chefe intocável e temida, agora mostra que também tem um chefe e regras a seguir. Em uma realidade que a vemos comprando o próprio café, pendurando o casaco (após reclamações formais ao RH) e até sendo forçada a migrar para a classe econômica em uma viagem internacional. Além disso, ela teve que se render à era digital e às entrevistas em vídeo, algo que em 2006 só aconteceria se houvesse uma grande emissora de televisão envolvida.
Se há uma ressalva a ser feita é o "2" no título. O projeto ganharia mais personalidade se seguisse a lógica literária de Lauren Weisberger, que batizou a sequência de 'A Vingança Veste Prada'. Embora a história do cinema siga por um rumo diferente do segundo livro, um subtítulo cairia bem. E para quem já pensa no futuro, fica a curiosidade sobre um terceiro capítulo: se a produção seguir a ordem dos livros ('When Life Gives You Lululemons'), a protagonista da vez será Emily.
A própria divulgação do filme refletiu essa mudança de era. As entrevistas conduzidas por influenciadores digitais e veículos modernos souberam explorar muito bem a dualidade entre os dois universos. Afinal, duas décadas separam os lançamentos, transformando não apenas a narrativa do jornalismo e do entretenimento, mas também o comportamento do público que consome o produto final.
E como foi a moda do público?
O filme faz um paralelo inteligente com a moda atual e com a forma como as personagens enxergam seus gostos pessoais. O que parece estranho para um é a peça ideal para o outro, e o comportamento do público na internet e nas salas de cinema traduziu exatamente isso.
Seja nas pré-estreias para convidados ou nas sessões comuns, analisar os looks da audiência virou um espetáculo à parte. Enquanto muitos consideravam o combo jeans + azul cerúleo o tributo ideal, outros sentiram a necessidade de resgatar casacos de pele e paetês para entrar na atmosfera do filme, mesmo que o conceito estético das protagonistas nesta sequência seja uma moda mais simples, focada em grandes estilistas de corte minimalista. No fim das contas, se alguém olhou para as montagens mais extravagantes e pensou "camp", foi apenas uma perspectiva. Quem estava montado poderia facilmente olhar para o lado e pensar "que gente básica". Afinal, a verdade sobre o que é correto vestir simplesmente não existe.
Para quem quer se divertir com esses momentos fashion, o canal Diva Depressão fez um vídeo analisando os looks dos tapetes vermelhos das pré-estreias. Essa movimentação só prova como a nossa relação com o consumo mudou: antes, esperávamos que as vitrines entregassem as novidades; hoje, nós identificamos o que gostamos dentro das nossas próprias referências e corremos atrás das melhores opções de preço, tamanho, material e prazo de entrega.
Trilha sonora e participações especiais
Na parte técnica, a trilha sonora é um dos grandes acertos da produção. A Disney não poupou investimentos e bancou um videoclipe para a faixa “Runway”, uma colaboração entre Lady Gaga e Doechii, que também traz Bruno Mars na produção e composição. A presença de Gaga no longa, inclusive, adiciona uma camada excelente de realismo ao retratar o eterno embate entre os artistas e a mídia.
Outra participação que chamou a atenção dos mais atentos foi a da autora Tomi Adeyemi, criadora da trilogia literária O Legado de Orïsha. A aparição funciona como um ótimo easter egg de Hollywood, já que o primeiro livro da saga, Filhos de Sangue e Osso, ganhará uma adaptação cinematográfica pela Paramount em 2027.
O que incomodou?
Nenhuma obra é inabalável, principalmente quando falamos das escolhas de tratamento de cor e iluminação. Embora Anne Hathaway tenha elogiado publicamente, em uma entrevista da CapitalFM, o trabalho da diretora de fotografia Florian Ballhaus (que também assinou o longa de 2006), o resultado divide opiniões.
Essa estranheza visual ocorre pela evolução tecnológica dos processos de gravação. O filme original foi rodado em película, formato que exige uma iluminação direta muito específica e que preserva uma granulação em sua digitalização. Já o novo longa busca os sistemas digitais modernos e luzes de LED, o que resulta em uma imagem mais limpa, e apresentando uma variação de tons muito claros ou com muita sombra.
Por fim, é preciso combater o argumento de que o filme "não chega aos pés do original". Se fosse para ser igual, não seria uma continuação. Ainda mais retornando 20 anos depois. O tempo passa e os personagens precisam evoluir. Miranda Priestly é o maior exemplo disso: ela precisou recuar em atitudes que eram reverenciadas e vistas como "poderosas" em 2006. A figura da chefe puramente autoritária e cruel não encontra mais espaço no mundo de hoje.
Talvez parte do público estivesse esperando aquela vilania a qualquer custo, mas a sociedade atual prioriza a discussão sobre bem-estar. Além disso, a mudança de tom permitiu que o filme fizesse justiça a Nigel, que finalmente recebeu o mínimo do reconhecimento que merecia. Mas ainda assim, ele merecia mais espaço, principalmente para mostrar como é sua vida fora do escritório.
'O Diabo Veste Prada 2' não quer replicar o passado. Ele prefere entender o presente.








