E falando no filme, nos Estados Unidos, um dos materiais promocionais de divulgação nas pré-estreias foi justamente uma versão impressa da revista Runway. O produto tornou-se um objeto de desejo tão grande que exemplares passaram a ser vendidos por preços exorbitantes no eBay. Apesar da Disney e 20th Century Studios liberarem um site com o conteúdo da revista, ela foi escaneada por um fã e compartilhada no X. Isso prova que o papel, quando bem utilizado, ainda gera um valor que o digital não consegue replicar.
A verdade é que as bancas não desapareceram; elas apenas se tornaram invisíveis para quem parou de olhar. Sim, estão em menor quantidade e o cenário editorial mudou, mas elas existem. O ponto é: você sabe onde fica a banca mais próxima da sua casa hoje? Muitas vezes, o saudosismo é apenas uma desculpa para não apoiar o que ainda existe.
O mercado, é claro, precisou se reinventar. Muitas publicações mudaram radicalmente o formato de venda e a periodicidade: o que era mensal, tornou-se semestral ou sazonal. Hoje, títulos renomados de moda, cultura e política focam na venda direta por sites ou modelos de assinatura. Para muitas editoras, a logística deixou de ser viável, priorizando o contato direto com o leitor fiel.
Além disso, a matemática das bancas é complexa. Assim como as livrarias, elas operam com margens apertadas. Geralmente, o lucro da banca fica entre 15% e 25% do valor de capa, variando conforme o produto que está sendo vendido (no caso de figurinhas, pode chegar a 30%). O desafio aumenta na distribuição: em cidades sem entregas oficiais das grandes distribuidoras nacionais, o jornaleiro precisa repartir seu lucro com distribuidores regionais apenas para garantir o produto na prateleira. É um esforço enorme para manter vivo um hábito que muitos juram que já morreu.
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| Anne Hathaway e Meryl Streep na divulgação de ‘O Diabo Veste Prada 2’, para a Vogue China |
Portanto, antes de postar que "sente saudades", faça o exercício de visitar uma banca na sua cidade. Elas podem não ter o volume de duas décadas atrás, mas continuam sendo espaços essenciais de cultura, notícias e entretenimento. E para instigar essa conversa: você lembra qual foi a última revista, gibi ou jornal que comprou em uma banca?



