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Uma Aventura LEGO | Crítica


Os títulos originais de 2014 estão a recém chegando aos cinemas, mas já se tem um notável: Uma Aventura LEGO (The LEGO Movie, Estados Unidos/Austrália/Dinamarca), segunda animação da dupla que dirigiu o também divertidíssimo Tá Chovendo Hambúrguer cinco anos atrás. Na história, Emmet é um funcionário qualquer que, assim como seus colegas, segue regras e manuais para manter a organização (e a impersonalidade) do mundo gerido pelo Sr. Negócios. Eventualmente, ao achar uma peça que se lhe gruda ao corpo, Emmet se vê envolvido numa profecia segundo a qual ele deverá liderar um grupo de resistência contra os planos do mesmo Sr. Negócios, que pretende colar tudo que existe. Só que Emmet, um entre tantos autômatos, não parece ser "o especial" de que fala a tal profecia...

Absolutamente inventivo e deslumbrante em seu conceito de animação, Uma Aventura LEGO usa computação gráfica, mas se desenvolve como se fosse stop motion — ou seja, a animação de bonequinhos reais, um quadro por vez. Assim, tudo que é visto é constituído de pecinhas de LEGO, e as articulações dos personagens, as explosões, a água, os tiros, tudo respeita a mesma lógica. As soluções visuais que os animadores conseguem são, em si, representativas do que o filme tem de mais nobre em transmitir: deve haver espaço para que todos explorem sua criatividade e encontrem sentido para suas criações.


Em meio a um sem número de referências, desconstrução de clichês e tiradas cômicas sempre bem encaixadas (é...), os cineastas enriquecem os temas de sua obra com alfinetadas à população passiva e que aceita a subordinação e manipulação de políticos e da mídia (em certo momento, um personagem solta: "Se está na TV, então podemos confiar!"), ou ao lançar observações sutis sobre a segregação imposta pelos que detêm poder, sobre o isolamento de relações e ideias numa sociedade que cultua o superficial, sobre a necessidade de precisar parecer mais que ser. Porém, é com uma revelação no seu terço final que Uma Aventura LEGO revira, reorganiza e expande tudo que vinha contando até ali.

E sempre sendo impecavelmente conduzido, com uma agilidade e um humor que nunca são encobertos pelos comentários que faz de maneira tão madura para uma animação com LEGOs — qualidades que afinal põem fim nas pré-concepções de que esse projeto só poderia dar em propaganda vazia para crianças. Ao instigar sobre o poder transformador da imaginação com tamanho preciosismo, eis um filme coerente com sua abordagem. O que justifica a excelente bilheteria e a aprovação de crítica e público que vem tendo. 2014 começou muito bem.

* O elenco que empresta as vozes na versão original é cheio de nomes famosos e está sendo muito elogiado, mas se deve dizer que a dublagem brasileira também está otima. Assim como o 3D.


Uma Aventura LEGO | Crítica Uma Aventura LEGO | Crítica Reviewed by Mateus Denardin on 10:00:00 Rating: 5