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O que dizer de “A Herdeira”, quarto livro da série “A Seleção”, escrito por Kiera Cass e lançado no Brasil pela Editora Seguinte? Basicamente, tudo que Kiera Cass errou com os três primeiros livros da série, acertou com esse. Confesso, eu não estava empolgada para ler esse quarto livro, já que a princípio a série seria uma trilogia, e o final foi bem razoável pra mim; eu não vi motivos para uma continuação. Mas se eu puder dar uma dica, é essa: vá ler “A Herdeira” sem ter lido a trilogia. Sério, não faz falta.

Depois do final de “A Escolha”, em que America escolheu o então Rei Maxon e se casaram, eles tiveram uma vida feliz e cheia de filhos. Primeiro vieram os gêmeos, Eadlyn e Ahren, que estão com 18 anos, depois tem Kaden, com 14, e Osten, com 10 anos. Marlee, melhor amiga de America durante a seleção, e que passou a ser dama de companhia da Rainha, teve dois filhos com o ex-soldado Woodwork, Kile e Josie. General Aspen, ex-namorado de America, e Lucy, ex-criada da atual Rainha, também moram no palácio. Todos vivem em harmonia, como em um conto de fadas.

Depois que Maxon virou Rei, ele acabou com as castas, e Iléa viveu um tempo de paz. Porém, ainda há preconceito. Se sua família pertencia à casta 7 no passada, pessoas que tinham família de casta 2 não te verão com bons olhos, e coisas assim. Foi como acabar com a escravidão, mas o racismo ainda estava lá (ainda está aqui. Mas isso não vem ao caso agora). Com isso, novos ataques voltaram a acontecer, mas dessa vez não pelos rebeldes. A população, de forma não organizada, quer mais justiça e pede o fim da Monarquia. Então o Rei e a Rainha decidem fazer uma nova Seleção, com a filha mais velha, para distrair a população e quem sabe acalmar os ânimos. Mas claro, que ideia maravilhosa! A própria America não era muito a favor da seleção na sua época, não achava certo, mas porque não, vamos lá colocar minha filha nessa cilada e ver se dá certo. Pura hipocrisia, mas enfim. Acho que esse foi o único erro do livro.

Esquecendo essa incoerência, o livro é ótimo, realmente sensacional. É narrado em primeira pessoa por Eadlyn, uma personagem forte, inteligente, perspicaz, carismática e feminista! Tudo que a America tinha de insuportável, a Eadlyn é o oposto. Esse livro sim deu gosto de ler. Por ser a filha mais velha, ela sempre soube que um dia iria governar o país, e tem se preparado para isso a vida toda. Claro, ela não é perfeita. É um pouco mimada e tende a afastar as pessoas, mas tem um bom coração. Eadlyn não pretende casar, e é contra a ideia da Seleção. Mas para ajudar os pais com a crise que o país está vivendo, aceita a ideia, com a condição de que no final de 3 meses, se não tiver encontrado ninguém que goste, não precisará fazer uma escolha.

Diferente dos outros livros da série, “A Herdeira” tem ritmo e não dá vontade de parar de ler. Diferente de America, que só se preocupava com qual pretendente escolher, Eadlyn é divertida e sem dramas, aquele tipo de personagem que dá vontade ser amiga, sabe? Outro ponto positivo para o livro foi que o romance não é o principal. Ela se preocupa com seus pais e com seus deveres como Rainha mais do que qualquer coisa. Além de seus irmãos, claro, especialmente com seu irmão gêmeo, Ahren, com quem tem ima ligação muito forte.

Porém, à medida que a história e a seleção avançam, é impossível não torcer por um par romântico para Eadlyn. Se em “A Seleção” existia apenas Team Maxon e Team Aspen, aqui há várias opções, pois nem Eadlyn sabe se vai se apaixonar. Particularmente, eu tenho meu preferido, e tenho quase 100% de certeza que no final eles ficarão juntos. Se for, será um pouco óbvio, mas extremamente fofo e sem ser clichê.


Agora estou bastante ansiosa por “A Coroa”, último livro da série, que será lançado no Brasil em maio desse ano. Fique ligado no All POP Stuff para conferir a resenha quando o livro for lançado!

'A Herdeira', de Kiera Cass 'A Herdeira', de Kiera Cass Reviewed by Desirée Soares on 11:18:00 Rating: 5