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Jessica Jones - 1ª Temporada | Crítica



Após o enorme sucesso de Demolidor, não demorou para a nova série do acordo entre Marvel e Netflix (que ainda promete Luke Cage, Punho de Ferro e Os Defensores), chegar ao serviço de streaming mais popular do momento, Jessica Jones veio para expandir ainda mais o vasto universo cinematográfico da casa das ideias, e de uma maneira bem melhor estruturada que a série de Matt Murdock. Além disso, apresenta um arco de histórias maravilhoso, e aposta muito em personagens femininas fortes e independentes.

Logo de inicio conhecemos a protagonista, Jessica Jones, maravilhosamente interpretada por Krysten Ritter ('Don’t Trust the B---- in Apartment 23'), onde logo vemos sua profissão de investigadora particular, além de ser uma mulher traumatizada, alcoólatra e abalada psicologicamente e tudo isso apenas nos primeiros dez minutos do primeiro episódio. A atuação de Ritter está maravilhosa, trazendo as melhores características da personagem dos quadrinhos, mas com seu charme único de sempre. A atriz consegue conquistar os telespectadores, mesmo como uma personagem extremamente difícil, e assim carrega o posto de protagonista com louvor.


Mas o que seria de uma heroína, sem o vilão, certo? Felizmente temos Killgrave (David Tennant, 'Doctor Who'), um dos piores vilões com um poder mais que maléfico e que mesmo assim conseguiu conquistar boa parte do público, tamanha perfeição da atuação de Tennant que se “jogou” completamente nesse personagem que apesar de desconhecido do grande público, já figura entre os piores e mais charmosos vilões já vistos em séries sobre super-heróis.


Apesar do grande foco em Jessica e Killgrave, temos espaço de sobra para desenvolver os outros personagens. Trish (Rachel Taylor, 'Grey’s Anatomy') cumpre o papel de melhor amiga, e se mostra uma personagem tão forte quanto a protagonista, sua história de fundo como uma antiga estrela infantil foi muito bem trabalhada pelos roteiristas, afinal incluir um arco como esses em uma série do gênero não é fácil, mas aqui é feito naturalmente. 


Luke Cage (Mike Colter, 'The Good Wife') teve uma participação maior do que o esperado, mas os roteiristas fazem questão de não se aprofundar muito no personagem, afinal Cage é o próximo a estrelar sua própria série, mas aqui ele se mostra bem mais que um interesse amoroso, é um verdadeiro parceiro quando Jessica precisa. 


Já a advogada Jeri Jogarth (Carrie-Anne Moss, 'Trilogia Matrix') não possuí muito tempo em tela, nem mesmo aparece em todos os episódios, mas a atuação de Carrie já é um verdadeiro show à parte, além de uma história própria que os roteiristas também souberam desenvolver muito bem. 


Outros personagens como Malcolm (Eka Darville, 'The Originals'), Hope (Erin Moriarty, 'True Detective'), Ruben (Kieran Mulcare, 'The Blacklist'), Robyn (Colby Minifie, 'Nurse Jackie'), e Simpson (Wil Traval, 'Once Upon a Time') não possuem participação em todos os episódios, mas se tornam indispensáveis no desenrolar de algumas histórias, e alguns ainda se sobressaem em cenas de humor. Todo o elenco possuí uma química inestimável.

A fotografia da série é outro espetáculo, mostrando o melhor de uma cidade tão icônica como Nova York. Vemos apenas o melhor de Manhanttan, e uma Hell’s Kitchen um pouco mais viva daquela que vimos em Demolidor. Mas o ápice da fotografia de Jessica Jones é verdadeiramente numa belíssima cena gravada na ponte do Brooklyn. Mais uma vez provando que filmar em locações é sempre melhor do que filmar em estúdios fechados. Somando a bela fotografia com a ótima trilha sonora original, desde o tema de abertura absolutamente viciante, até outras composições reproduzidas durante os episódios, temos um verdadeiro exemplo de como se produz uma ótima série de TV.


E é claro, se tratando de uma série da MARVEL, easter eggs realmente não faltam durante os treze episódios desse primeiro ano, desde homenagens aos quadrinhos, até menções aos acontecimentos dos filmes do estúdio. Tudo para proporcionar aos fãs aquele gostinho único, que somente os mais ávidos do universo iram reconhecer. Além disso, temos a participação especial de um personagem de Demolidor que deve agradar muitos fãs.


Muitos desconfiaram, mas a roteirista Mellisa Rosenberg ('The OC', 'Dexter' e 'A Saga Crepúsculo') conseguiu adaptar os quadrinhos de uma maneira única, sem personagens ou histórias desnecessárias, mas em um arco completamente bem planejado onde vimos um leque incrível de personagens, suas motivações, e até mesmo suas origens, sem nenhuma ponta solta, o que logo nos remete a um filme com começo, meio e fim.


A Segunda Temporada já foi confirmada pela Netflix, e vai se passar após os eventos da primeira temporada de Os Defensores (sem data de estreia definida). Nossa única dúvida é o que mais pode ser abordado com esses personagens, teremos histórias inéditas ou ainda algo baseado nos quadrinhos? Só nos resta esperar, mas após uma temporada tão incrível como essa, tenho certeza que todo esse time de roteiristas, produtores e elenco iram nos proporcionar novos ótimos episódios.

E sim Jessica, você é uma verdadeira heroína...

Jessica Jones - 1ª Temporada | Crítica Jessica Jones - 1ª Temporada | Crítica Reviewed by Roberto de Carvalho Neto on 15:52:00 Rating: 5