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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Crítica


Há quem diga que a ficção científica é um gênero saturado. Essa é uma afirmação que costuma vir logo após um filme como 'A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell', pois diferente do que o gênero costuma nos trazer em seu melhor, esta nova adaptação se apoia nos "maiores sucessos" e entrega um filme divertido, porém nem um pouco original.

Aos fãs do anime original 'Ghost in the Shell', a adaptação pode ser um tanto difícil de engolir. Embora o apreço pelo material original esteja bem exposto pelo filme, o enredo e o contexto estão longes de serem tão deslumbrantes quanto em outros filmes que inevitavelmente serão usados como comparação.

E não é difícil ver o por quê destas comparações serem tão imediatas, afinal, 'Ghost in the Shell' foi usado como base de inspiração para diversas obras que vieram depois dos anos 90 e 2000, como por exemplo, a mais famosa delas, 'Matrix'.


Quem é fã da trilogia das irmãs Wachowsky irá sacar com facilidade onde as autoras buscaram suas referências para construir o universo de Neo. A maneira como a história aborda a diferença entre o humano e o sintético é interessante e costuma gerar boas discussões entre os entusiastas de ficção científica.

Porém, enquanto o filme original se apoiava quase que completamente em seus diálogos e reflexões filosóficas sobre o estado de seus personagens, a adaptação tem a difícil tarefa de entreter o grande público fã de filmes de ação, sem deixar de lado o valor das discussões que consagraram 'Ghost in the Shell'.


Uma tarefa complexa, e que infelizmente sofre por essa complexidade. Com diversas partes desta adaptação sendo tomadas por diálogos explicativos (na tentativa de emular os méritos do original), o filme claramente se vende na ação. Visuais deslumbrantes e movimentos de câmera bem favoráveis acabam engajando o espectador muito mais do que qualquer reflexão que venha a ser apresentada.

Nada disso é culpa de Scarlett Johansson, que entrega uma ótima performance como a protagonista Major. Mesmo com a polêmica do whitewashing tenha cercado o filme durante sua campanha de marketing, a maneira como esse empecilho foi resolvido na história me soou satisfatória o suficiente.


Os outros personagens no entanto, acabam ficando muito superficiais. Isso não é surpresa, visto que o filme tem 1h40 de duração e poderia facilmente ser estendido para além de duas horas caso quisesse embasar melhor suas diversas tramas.

O espectador casual poderá encontrar muita diversão em observar as diversas soluções visuais encontradas pelo filme para diferenciá-lo de outras obras da ficção científica, mas isso também virá da base de cada espectador e do quanto ele é familiarizado com o gênero. Aqueles que conhecem 'Blade Runner' irão notas as semelhanças sem muita dificuldade.


Ao fim, a sensação que tive ao sair da sala de cinema foi de ter assistido uma versão "light" (porém bem cara) do que seria a mistura entre 'Blade Runner' e 'Matrix'.

Casualmente, é um filme que entretém, mas não faz jus ao material original e (com um pouco de sorte) 'A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell' deve se preocupar com esse aprofundamento em sequências que possivelmente virão no futuro.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Crítica A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Crítica Reviewed by João Felipe Marques on 08:19:00 Rating: 5