Gabi Lins apresenta 'Tudo pelo Show' com os excessos dos palcos e bastidores

Cantora detalha o processo criativo do álbum e adianta planos para versão física

Cinco anos após sua primeira conversa com o All POP Stuff, Gabi Lins está de volta, mas a artista que encontramos agora é outra. Amadurecida pela vida, pelos palcos e pelos bastidores da indústria musical, ela não tem medo de expor suas fragilidades. A cantora e compositora baiana acaba de lançar 'Tudo pelo Show', seu álbum de estreia que se recusa a caber em uma caixinha e abraça a dualidade entre a pessoa e a persona.

Em uma entrevista exclusiva, Gabi abriu seu processo de criação, o machismo nas sessões de composição e como suas raízes pop são criadas. Na sequência você confere o papo completo em vídeo e também um resumo da conversa em texto:


Um álbum visual nascido em cores e estética

Para quem acompanha o trabalho de Gabi nas redes sociais, não é segredo que música e imagem andam de mãos dadas. Durante a entrevista, ela revelou que seu processo criativo é quase sinestésico:

Quando eu escrevo a música, eu já vejo cor, eu já vejo lugar. Por isso que eu já sei quais vão ser os singles, quais são as músicas que a gente consegue explorar mais visualmente, porque eu acho que essa parte da arte é muito importante para a criação do universo, principalmente de um artista pop.

Faixas como "Canibal", "Aventura" e "Encanto" nasceram sob essa ótica, onde o conceito do clipe ganha vida no mesmo instante em que a melodia é cantada.


A dualidade da capa

Se na era digital a tendência geral é postar apenas o recorte perfeito da vida, 'Tudo pelo Show' vai na contramão. A dualidade do projeto está estampada literalmente na identidade visual: na capa, vemos a grande artista pop intocável; na contracapa, a realidade das lágrimas e da vulnerabilidade.

Eu sempre soube que esse álbum era dual... era sobre mim. (...) Gabi Lins é um excesso de quem Gabriela é. E então eu sabia que meu primeiro álbum ia retratar esse excesso, que são grandes sombras, grandes brilhos.

Gabi reflete sobre a cobrança da internet e como usou a própria ansiedade para as letras: 

"Está todo mundo mostrando o palco. Eu mostro meu palco, meus bastidores (...). Ansiedade generalizada, né? Por que que eu não vou colocar isso nas minhas músicas se eu vivo isso?"

"Moços da Rádio" e a indústria musical

Uma das faixas que mais tem despertado a curiosidade dos fãs é "Moços da Rádio". Sem citar nomes diretos, embora garanta que "eles sabem quem são", Gabi usa a canção para expor o machismo e a desvalorização que sofreu ao iniciar no mercado independente.

A faixa nasceu logo após a cantora participar de uma sessão de composição cercada apenas por homens:

Foi muito doloroso para mim, porque parece que nada que eu falei, nenhuma vírgula ali valeu alguma coisa, sabe? Porque eram eles se aplaudindo a todo momento.

Ela aproveitou para pontuar a urgência de uma mudança estrutural na indústria, citando como inspiração Jenni Mosello, e elogiando iniciativas de plataformas de streaming como a playlist Equal do Spotify, que busca dar protagonismo e mudar as estatísticas de mulheres compositoras registradas no ECAD.

Bahia sem filtro

Longe de ser um elemento forçado para se encaixar em tendências, sua terra natal dita o ritmo natural de faixas como "Cuidado com a Cobra", que nasceu diretamente como um axé. Ela comentou que suas referências, viajam de Gal Costa ao conterrâneo Raul Seixas para mostrar que não tem medo de ousar:

Eu também tenho essa motivação que Raul tinha de não me prender em caixas. A Bahia tá misturada com até a Espanha, com o Japão, com São Paulo, com Estados Unidos, com a Inglaterra, tá em tudo. Porque eu sou doida eclética e eu gosto desse caldeirão de referências mesmo. E, entre nós, todo mundo pega a Bahia como referência. Todo mundo quer estar no trio, todo mundo quer ser baiano.


Vem vinil e uma versão estendida por aí?

Para os colecionadores de plantão que já estão viciados em faixas como "Supernatural" e a minha queridinha pessoal "Deboche", temos ótimas notícias. Gabi confirmou que os planos para uma versão física existem, mas ainda é um processo a ser desenvolvido: 

Já tô vendo com meu designer como é que vai ser o folheto dentro do vinil.

E para quem acha que "Deboche", atualmente a música mais curta do álbum, merecia mais tempo de reprodução, a cantora soltou um segredo dos bastidores: ela originalmente tinha 4 minutos de duração! Quem sabe uma versão estendida não vem por aí para como surpresa na versão física?

'Tudo pelo Show' já está disponível em todas as plataformas digitais. É um álbum que se complementa com os clipes, nos lembrando que, por trás de toda grande diva pop, pulsa um coração intensamente humano.

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